BLUES WORKSHOP 1 - as escalas e a Tonalidade de blues
GOSTARIA
DE COMEÇAR ESTA SÉRIE DE MATÉRIAS BLUES WORKSHOP COM UMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A
TONALIDADE DE BLUES, DEVIDO A CONFUSÃO GENERALIZADA SOBRE A ESCALA DE BLUES.
* Por Jeff Gardner
A tonalidade
do blues é baseada quase exclusivamente em acordes de sétima de dominante na
tônica, subdominante e dominante. A escala de blues completa
(1-b3-3-4-b5-5-b7), que defina uma área tônica de sétima dominante, também
inclui a terça maior, a terça menor, a quinta diminuta e a quinta perfeita.
Subsequentemente, a escala de blues deve ser considerada como uma área tonal
simultaneamente maior e menor.
Não
podemos transcrever nem anotar a magia das construções melódicas do blues com a
escala de blues como está apresentada na maioria esmagadora de livros sobre
blues e jazz, ou seja: (1-b3-4-b5-5-b7). Esta escala, sendo menor, define um
acorde tônica de menor com sétima, o que não reflete a cor do acorde de sétima
de dominante - a essência da harmonia do blues. Esta escala, que chamo de "escala
de blues sem terça maior", serve para improvisar sobre um blues menor (com
tônica de acorde menor com sétima). E serve como uma maneira sutil e
convincente de marcar a passagem da tônica para a subdominante, transformando
frases melódicas e acordes com a terça maior (ou terça maior e menor juntas)
sobre a tônica para frases e acordes similares com só a terça menor sobre a
subdominante.
O
uso da escala (1-b3-4-b5-5-b7) sobre a subdominante evita um conflito harmônico potencial entre a
terça maior da tônica e a sétima dominante do quarto grau (por exemplo, Mi
natural em cima do acorde de F7 na tonalidade de C blues). Este Mi natural pode
ser utilizado como nota de passagem entre a quarta e a terça menor da tônica em
cima de IV7, mais não como nota melódica principal. A escala de blues
incompleta pode ser misturada com a escala completa em cima do primeiro e do
quinto grau, mas limitar a sua improvisação a escala de blues sem terça maior
dá uma ideia bastante pobre do campo melódico do blues.
A
escala pentatônica blues possui apenas 5 notas ("penta" em grego é
5). Esta escala - formada da tônica, terça menor, quarta perfeita, quinta
perfeita e sétima menor (que chamo de sétima dominante) ou seja (1 - b3 - 4 - 5
- b7).
A
escala pentatônica de blues tem várias versões, porém a nossa corresponde
melhor a essa cor tão comum nas melodias de blues. Esta escala, evidência da
herança africana no blues, serve como um excelente ponto de partida para
músicos começando a improvisar no blues básico, porque nenhuma das notas cria
conflito com os três acordes de sétima de dominante I, IV e V.
Muitos
clássicos do repertório de blues utilizam apenas estas 5 notas. Tente criar
suas próprias melodias e improvisações utilizando esta escala.

Dicas de pianistas de blues para ouvir: Jimmy Yancey, Otis Spann e Professor Longhair.
Contato para shows e workshops: jeffgardnerjazz@gmail.com
Editado pelas Edições Irmãos Vitale o livro Blues Workshop está disponível no site do autor e nas melhores lojas de música.
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* Jeff Gardner é pianista, compositor, educador, com 18 CDs gravados e escritor de diversos livros nascido em Nova York e radicado no Brasil desde 2002. Suas influências passam pelo clássico, jazz e, principalmente, pela música brasileira. Estudou com nomes lendários do universo jazzístico, entre eles, John Lewis, Don Friedman, Jaki Byard e Charlie Banacos e tomou aulas de harmonia com Nadia Boulanger. Jeff foi professor na New York University e ministra workshops e masterclass em muitos países. Jeff Gardner é o mais novo ilustre colaborador a entrar para o time da Revista Keyboard Brasil.
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