sexta-feira, 24 de junho de 2016

A caminhada musical e os desafios de Diogo Monzo

NUTRINDO UMA VERDADEIRA PAIXÃO PELO PIANO, O BRASILEIRO DIOGO MONZO VEM DESPONTANDO NO CENÁRIO MUNDIAL. TALENTOSO COMO PIANISTA, COMPOSITOR, ARRANJADOR E BAND LEADER, É COM ELE NOSSA MATÉRIA E ENTREVISTA EXCLUSIVAS DESTE MÊS!
* Por Heloísa Godoy Fagundes


Diogo Monzo é um jovem pianista, arranjador e compositor de reconhecimento internacional. Recentemente, além de ser selecionado entre os Top 5 na competição internacional “Made in New York Jazz Competition”, o que lhe rendeu a participação do Gala Concert, no Tribeca Performing Arts Center, Monzo foi escolhido um dos melhores instrumentistas de 2015 pela edição especial Melhores da Música Brasileira, do site Embrulhador, através de seu segundo trabalho “Meu Samba Parece Com Quê? ”. Aliás, neste belo CD, Monzo nos apresenta seis composições próprias e outras três de músicos como Tom Jobim e Newton Mendonça, Ernesto Nazareth e Nabor Nunes Filho. “Esse CD foi gravado em Brasília e é de trio (baixo, piano e bateria), exceto a primeira música, um quarteto com a participação do sax soprano”, explica o músico.

Monzo, que também já escreveu um livro intitulado “Hinos Tradicionais Sob Uma Nova Concepção” que acompanha um CD, atualmente cursa Mestrado em Música em Contexto na UNB (Universidade de Brasília). Nessa caminhada musical de muita dedicação e estudo, o músico nos concede uma entrevista entre idas e vindas representando o Brasil pelo mundo.

Trajetória... 

Diogo Monzo: “A música brasileira é muito rica e respeitada, 
muitos músicos brasileiros têm representado o Brasil pelo mundo 
e tornado a nossa música cada vez mais conhecida. Eu quero 

ser mais um”. 

Nascido em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, Diogo Monzo, 31 anos, despertou o interesse pela música aos 12. Começou a fazer aulas de percussão e canto na Escola de Música da Associação Batista Centro Sul Fluminense, sediada na Segunda Igreja Batista de Barra do Piraí, foi quando descobriu outro instrumento pelo qual nutriu uma verdadeira paixão: o piano. Diogo enfim, decidiu seguir a carreira de músico, sob a orientação do professor Rogério Toledo, dedicando-se totalmente ao  instrumento.

Atuando, durante quatro anos, como ministro de Música da Segunda Igreja Batista de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, obteve um crescimento musical de valor inestimável e realizou várias atividades: desenvolveu projetos com coros de todas as faixas etárias; fundou uma escola de artes; desenvolveu projetos sociais na área de música, em que atendeu mais de 200 crianças e suas famílias; solidificou a orquestra da igreja; e produziu musicais com mais de 300 pessoas atuando, entre músicos, atores e dançarinos.

Graduado em Piano Clássico pelo Centro Universitário Conservatório Brasileiro de Música – RJ, estudou com as professoras Maria Tereza Soares, Talita Peres e Maria Tereza Madeira. Diogo concluiu o curso com louvor, obtendo a nota máxima em sua prova final de piano. 

Após o término de seu curso de graduação, continuou a estudar. Apaixonado pela criação, aprofundou seus estudos de harmonia e improvisação no Centro Musical CIGAN – RJ. Monzo participou da Berklee On The Road – The Art of Improvisation, com oficinas em Songwriting, Arranging, e com o pianista Laszlo Gardony. Estudou improvisação e piano popular com os professores: Roberto Alves, Rafael Vernet, Cliff Korman e com o pianista e compositor  Jeff Gardner, autor de “Jazz Piano: Creative Concepts and Techniques” (ex professor da New York University).  


Tem se apresentado em diversas salas, auditórios, programas de televisão e festivais, tais como sala Baden Powell, Clube do Choro, Sala Cecília Meireles, auditório Lorenzo Fernandez, Sesc em Barra do Piraí, Festival vale do Café, Ipiabas Blues Jazz Festival, Auditório da Faculdade Batista do Rio de Janeiro, Sesc em Brasília, Festival Café Cachaça e Chorinho, Sala Thomas Jefferson em Brasília, Triboz RJ e no projeto “Série Mini Recitais” transmitido pela UnB TV, no programa “Músicas que Elevam” da Boa Vontade TV (Canal 20 da Sky, 212 na Oi TV), no programa Refrão na TV Câmara e no programa “Espaço Cultural” na Tv Senado. 

No final do ano passado fez a sua estreia na Europa, onde apresentou três concertos de piano solo na József Attila Culture Hall, Dorog City – Hungria, através do projeto “Faces of Brazilian Piano”, na Universidade de Aveiro, em Portugal e na Chiesa Battista di Roma Montesacro, na Itália. 

Diogo Monzo: "Participar do Gala Concert foi, para mim, uma oportunidade de representar o Brasil, a música brasileira e isso traz um sentimento muito bom. Me sinto orgulhoso de poder mostrar o bom trabalho que temos feito no País." 

Em maio passado, apresentou-se pela primeira vez nos EUA, mais precisamente em Nova York, no Tribeca Performing Arts Center pelo “Made in New York Jazz Competition”, junto com grandes nomes do jazz como Rufus Reid, Tommy Campbell, Philip Harper, Bobby Sanabria  e Randy Brecker.

Atualmente é mestrando do Programa de Pós-graduação em Música em Contexto, pela UNB (Universidade de Brasília), sob a orientação do professor Dr. Ricardo Dourado Freire.


"Eu tive o prazer de conhecer e ensinar o pianista Diogo Monzo em 2013 (eu era parte da delegação faculdade Berklee durante a nossa residência no Conservatório Musical Souza Lima). Fiquei muito 
satisfeito com os resultados do seu trabalho “Meu Samba Parece Com Quê?”. A gravação mostra o talento de Diogo como pianista, compositor, arranjador e band leader. Sua abordagem autêntica 
e original ao unir a rica tradição musical brasileira com o jazz moderno já demonstra um enorme sucesso." 
Laszlo Gardony – Professor de Piano da Berklee College of Music

"Diogo Monzo possui um 'feeling' e uma sofisticada técnica de música moderna com o swing e harmonia do gospel e uma sólida formação no piano erudito."
Jeff Gardner – Compositor, arrangador e pianista

DIOGO MONZO TRIO...

O novo trabalho de Diogo Monzo, intitulado “Meu Samba Parece Com Quê?” é realizado em trio (piano, contrabaixo e bateria) com dois grandes nomes da música instrumental brasileira, Di Stéffano e Bruno Rejan. Di Steffano, baterista, é reconhecido nacionalmente por artistas consagrados como João Donato e Dominguinhos, dentre outros. Gravou diversos CDs com trabalho autoral e participações com renomados artistas. Apresenta a versatilidade da bateria mostrando harmonias e melodias ao invés de intermináveis solos. Bruno Rejan, contrabaixista, arranjador e compositor, é mestre em Música. Acompanha artistas de projeção internacional em diversos estilos musicais. Desenvolve projeto instrumental com foco na MPB mesclada ao jazz contemporâneo. O Trio tem trabalhado na turnê “Meu Samba Parece Com Quê?”, onde Diogo Monzo faz sua estreia como compositor. Os músicos prepararam um novo repertório, escolhido com um olhar muito criterioso e após muita pesquisa. O Trio tem como objetivo divulgar, promover e expandir ainda mais a Música Brasileira. Por isso, esse novo repertório conta com todas as músicas do CD e, ainda, com músicas de compositores brasileiros consagrados, com a inclusão de ritmos da música brasileira: samba, bossa nova, baião, frevo, choro (chorinho) e o maracatu. 

Trabalhos... 
Diogo Monzo lançou seu primeiro trabalho em Dezembro de 2013. “Hinos tradicionais sob uma nova concepção” é um livro para piano. Uma releitura dos hinos tradicionais onde o músico recolheu melodias de grande significado para o povo evangélico, cantadas ao longo de gerações, ambientando-as numa linguagem harmônica sofisticada. Por consequência desta, Diogo gravou o seu primeiro Cd de piano solo, gravado ao vivo em um concerto empolgante e inspirador, em que ele improvisa sob as belíssimas melodias recolhidas nesse livro.

Em seu segundo disco, “Meu Samba Parece Com Quê?” Diogo divide a produção com Di Steffano e conta com a participação dos grandes músicos, Hamilton Pinheiro, Carlos Pial, Rodrigo Ursaia, Oswaldo Amorim e André Togni. Nesse trabalho, o pianista mostra suas excelentes versões para “Samba de uma nota só” (Tom Jobim e Newton Mendonça) e o choro “Escorregando” (Ernesto Nazareth), além de suas seis composições, com destaque para dois temas introspectivos, “Manhã” e “Branquinha”, com uma pitada de Bill Evans. 


Entrevista

Revista Keyboard Brasil – O que significa a música para você?
Diogo Monzo: Uma expressão de louvor e adoração a Deus. A música dá sentido para muitas questões em minha vida. Ela me permite ser eu mesmo, me expressar de uma maneira honesta e sincera, ela me ajuda a me compreender. Faz parte não só dos meus dias ou da minha rotina, faz parte de mim. E eu sempre penso na música como Movimento. Se fosse possível definir a música em uma palavra, eu usaria essa “Movimento”. 

Revista Keyboard Brasil – Fale um pouco sobre a música na sua família; seus avós, seus pais eram músicos? 
Diogo Monzo: Na minha família alguns dos meus familiares tocam instrumentos, cantam, mas nenhum seguiu carreira de músico. Minha avó por parte de pai tocava piano, a música sempre foi um hobby. O único a escolher a música como profissão até agora fui eu. Eu conheci a música popular brasileira através da minha mãe. Minha mãe não é musicista, mas me apresentou e me fez conhecer grandes nomes da nossa música, como: Gonzaguinha, Elis Regina, Tom Jobim e muitos outros. O ambiente em que eu cresci sempre foi muito musical, ouvia-se muita música e isso me despertou para buscar conhecer a música em geral.

Revista Keyboard Brasil – Como foi seu começo na música e por que você escolheu o piano como principal instrumento?
Diogo Monzo: Eu comecei aos meus 12 anos, ouvindo música de diferentes estilos e pesquisando muito. Naquela época, não era fácil conseguir acesso à música, não existia a facilidade da internet. Me lembro do meu tio Rui me dando a coleção dele de música clássica por exemplo. Você precisava ir atrás dos cds ou discos, não era como hoje, que você encontra na internet. Eu gostava muito de tocar percussão, em especial, o pandeiro. Porém, com a minha curiosidade e vontade de ser músico eu comecei a tocar violão e um pouco de teclado sozinho. Aos meus 15 para 16 anos decidi, então, estudar música com um professor em uma escola de música. Fui estudar canto e acabei estudando piano na escola da Associação Batista Sul Fluminense que ficava localizada na Segunda Igreja Batista de Barra do Piraí. Lá eu conheci o professor Rogério Toledo, o qual foi o meu primeiro professor de piano. Rogério me deu aula de graça até eu ingressar no curso de bacharel em piano no Centro Universitário Conservatório Brasileiro de Música, onde eu me formei em piano erudito.

Revista Keyboard Brasil – Quais foram os pianistas que mais influenciaram sua maneira de tocar o piano?
Diogo Monzo: Sem dúvida, as minhas maiores influências foram os meus professores e, talvez, não há quem mais influenciou, porém grandes influências vieram à partir do ouvir, são elas: Nelson Freire, Martha Argerich, Luis Eça, Keith Jarrett, André Mehmari, Gonzalo Rubalcaba, Fábio Torres, Chick Corea, Rafael Vernet, Herbie Hancock, Egberto Gismonti entre outros. Penso que conforme surgem novas descobertas, surgem com elas novas influências.

Revista Keyboard Brasil – Como é sua rotina de estudos? Você pratica todos os dias?
Diogo Monzo: Minha rotina é de 4 horas por dia. Eu estudo de segunda à sexta.

Revista Keyboard Brasil – Em sua opinião, o que caracteriza um excelente pianista?
Diogo Monzo: Alguém que trabalhe para música, não para você mesmo, que consiga ser um agente de transformação por meio da arte. 

Revista Keyboard Brasil – Pode-se dizer que o Brasil é uma terra de excelentes pianistas. Como você avalia nossa formação universitária na atualidade?
Diogo Monzo: Sim. O Brasil é uma terra de excelentes pianistas. A nossa formação universitária não é perfeita, muito já melhorou, mas há muito trabalho ainda pela frente, muito a melhorar. Porém, eu penso que temos uma boa formação, há bons professores dando aula e boas Universidades.

Revista Keyboard Brasil – Você escreveu um livro intitulado “Hinos Tradicionais Sob Uma Nova Concepção” que acompanha um CD. Fale sobre esse trabalho. 
Diogo Monzo: “Hinos tradicionais sob uma nova concepção” é um livro para piano. É a releitura de hinos cantados por várias gerações em Igrejas protestantes. Eles são constituídos de belíssimas melodias e letras bem fundamentadas na Bíblia. Eles serviram e servem de inspiração, motivação, encorajamento para muitos cristãos. Eles eternizaram muitos momentos da  história cristã protestante. Talvez alguém me pergunte se o intuito desse livro é resgatar os hinos. Minha resposta seria não. Não podemos resgatar algo que não se perdeu! Os hinos são uma herança deixada para música sacra de um valor inestimável, que a enriquece. A diferença do livro para o cd é que o livro é constituído de arranjos para piano. O cd, apesar de ter pedaços relacionados a esses arranjos, não são idênticos. No cd, o meu foco foi a improvisação.

Revista Keyboard Brasil – Sobre seu trabalho mais recente e muito elogiado “Meu Samba Parece Com Quê?” você foi escolhido um dos melhores instrumentistas de 2015 pela edição especial Melhores da Música Brasileira, sendo um dos participantes na audição, concorrendo ao Prêmio da Música Brasileira 2016. Gostaríamos de saber: como surgiu a ideia e como foi o processo de composição de suas músicas (das 9 músicas que compõem o CD, 6 são autorais) ?  
Diogo Monzo: A ideia surgiu em 2012 com a minha mudança para Brasília. Morando aqui em Brasília e convivendo com os músicos e com a música produzida aqui, que aliás é muito boa, eu fiquei com muita vontade de gravar um cd com os músicos que moram na cidade. A gravação começou em 2013 no estúdio do meu amigo André Togni, o antigo “Beco da Coruja”, lugar onde todo o cd foi gravado. A ideia principal do cd foi a liberdade de criação, os temas foram compostos pensando nisso. Eles são bem pequenos, possibilitando solos maiores. Os músicos tiveram total liberdade para criar e colocar a sua linguagem no cd. Eu comecei a partir das músicas que eu já tinha composto, e dessas escolhi apenas duas, “Segredos” e “Meu Samba Parece Com Quê” que veio a ser o nome do Cd e foi composta em 2006 depois de ouvir a música “Got a Match?” do Chick Corea. Essa mudança para Brasília representava um novo momento para mim, como é normal em toda mudança. Sendo assim, eu decidi compor três músicas aqui: “Manhã”, “Branquinha” e “A Chama”, que registram um pouco sobre essa nova fase que iniciei aqui e, ainda, “Song For Fran”, que fiz para a minha esposa.

Revista Keyboard Brasil – Sendo um músico independente, como foi o processo de produção de “Meu Samba Parece Com Quê?” e a escolha dos músicos que te acompanham neste trabalho?
Diogo Monzo: O cd levou um ano para ser gravado e não teve apoio de leis de incentivo. Por isso, todo o processo foi mais lento. Porém, apesar das dificuldades foi muito bom e prazeroso, eu e todos os envolvidos nos divertimos muito. Os períodos de gravação foram muito bons, os músicos estavam muito à vontade e tudo foi muito leve. Em diversos momentos ficamos surpresos tendo nossas expectativas superadas. Aos poucos, eu fui me inserindo na cena musical de Brasília onde conheci os músicos Di Steffano, Hamilton Pinheiro, André Togni, Carlos Pial e Oswaldo Amorim, que gravaram no Cd. O Cd ainda contou com a participação do Rodrigo Ursaia, o único dos músicos que não mora nessa cidade.

Revista Keyboard Brasil – Você ficou entre os Top 5 no Made in New York jazz competition, o que lhe rendeu a participação no Gala Concert. Como foi para você participar dessa competição internacional?
Diogo Monzo: O fato de você estar entre os melhores de uma competição internacional é importante! Faz você se ver em uma outra perspectiva, não tão distante dos outros músicos do mundo. Muitas vezes, não observamos ou mesmo paramos para pensar o quanto já crescemos como músico, como artista e o quanto ainda precisamos melhorar. A caminhada musical não tem fim; sempre  há um novo desafio. Foi uma oportunidade de representar o Brasil, a música brasileira e isso traz um sentimento muito bom. Me sinto orgulhoso de poder mostrar o bom trabalho que temos feito no País. A música brasileira é muito rica e respeitada, muitos músicos brasileiros têm representado o Brasil pelo mundo e tornado a nossa música cada vez mais conhecida. Eu quero ser mais um. No Gala Concert eu toquei músicas com músicos de Jazz consagrados e respeitados em todo o mundo, convidados pela produção do evento. Foi uma oportunidade que me trouxe um enorme crescimento como músico e ampliou a minha visão me trouxe uma outra perspectiva de como trabalhar com música. Me abriu novas portas e oportunidades.

Revista Keyboard Brasil – Quais são seus próximos projetos?
Diogo Monzo: Estou terminando de gravar agora em Julho um cd em trio com músicas de “Luis Eça”. Esse trabalho é uma homenagem a esse grande músico brasileiro e faz parte do meu trabalho final de Mestrado, onde eu pesquiso o Luizinho. Termino também em Outubro o cd de piano solo que comecei a gravar ano passado. De 15 a 20 de Agosto participo do Imesur, no Chile, como parte da turnê “Meu Samba Parece Com Quê?”. Em Dezembro faço uma segunda turnê pela Europa com o projeto “Faces of Brazilian piano”.

Revista Keyboard Brasil – Muito obrigada pela entrevista e sucesso sempre!
Diogo Monzo: Eu que agradeço por essa fantástica oportunidade concedida por vocês. Parabéns pelo brilhante trabalho que tem sido feito pela revista. Vida longa a Keyboard Brasil.





SAIBA MAIS SOBRE DIOGO MONZO:








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* Heloísa Godoy Fagundes é pesquisadora, ghost writer e esportista. Amante da boa música, está há 10 anos no mercado musical de revistas. Já trabalhou na extinta Revista Weril e atualmente é publisher e uma das idealizadoras da Revista Keyboard Brasil.












35ª EDIÇÃO DA REVISTA KEYBOARD BRASIL 

JUNHO DE 2016 


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EDITORIAL 


                 *Heloísa Godoy Fagundes - publisher

Junho foi um mês de grandes conquistas no meio musical. Um Brasil que poucos brasileiros conhecem! Premiados músicos como Diogo Monzo, nossa matéria de capa com uma bela entrevista; Cristian Budu, com seu elogiadíssimo trabalho Chopin & Beethoven e Samuel Quinto eleito o único brasileiro membro de grandes sociedades musicais internacionais. Também é um mês em que se comemora os 80 anos do nosso  “bruxo dos sons” apelido dado pela jornalista e escritora Ana Maria Bahiana, a Hermeto Pascoal, reconhecido internacionalmente como multi-instrumentista, arranjador, improvisador e compositor. Aqui prestamos uma pequena homenagem para esse imenso artista! Com exclusividade, falando sobre sua turnê pelo Brasil, temos o pianista brasileiro radicado na Alemanha, André Dolabella. Marina Ribeiro traz a bad girl Janis Joplin que, mesmo tendo uma trajetória meteórica tornou-se ícone de uma era. Falando sobre o mundo progressivo temos a banda de metal finlandesa Humavoid, em uma matéria escrita por Thiago Marques e a lenda viva Christopher Franke, músico brilhante que fez parte da antológica banda alemã Tangerine Dream, matéria escrita por Amyr Cantusio Jr. Erik Satie, através do maestro Osvaldo Colarusso, é homenageado por seus 150 anos. Rafael Sanit traz de Belém, a Zarabatana Jazz Band, comandada por Ziza Padilha e Dayse Addario, tendo como regente titular e diretora artística Cibelle Jemima. Além de nossos colaboradores Hamilton de Oliveira, Luiz Carlos Rigo Uhlik e Murilo Muraah! Termino agradecendo o carinho dos leitores do mundo todo. Vocês são nosso combustível, nosso termômetro! E não se esqueçam: músicos! Façam como o Quarteto Tesla e Heloise Amorim: entrem em contato e mostrem seu trabalho!! A todos uma excelente leitura! 

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* Heloísa Godoy Fagundes é pesquisadora, ghost writer e esportista. Amante da boa música, está há 10 anos no mercado musical de revistas. Já trabalhou na extinta Revista Weril e atualmente é publisher e uma das idealizadoras da Revista Keyboard Brasil.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

SÉRIE JAZZ ALL NIGHTS 2016

EVENTO CHEGA À 10ª EDIÇÃO TRAZENDO AO PAÍS DUAS ESTRELAS DO JAZZ MUNDIAL, AMBOS VENCEDORES DO GRAMMY: O PIANISTA DOMINICANO MICHEL CAMILO E A PIANISTA JAPONESA HIROMI COM SEU THE TRIO PROJECT.
* Por Heloísa Godoy Fagundes

Um dos principais eventos musicais voltados para o jazz no Brasil, concebida e realizada pela Dell'Arte Soluções Culturais, a Série Jazz All Nights está de volta em 2016. Comemorando sua 10ª edição, o evento traz para o país dois dos mais importantes nomes no atual cenário do jazz internacional: o pianista dominicano Michel Camilo, que chega ao país como o show Solo Piano, e se apresenta no Rio de Janeiro e em São Paulo; e a pianista japonesa Hiromi, com o The Trio Project, para apresentações no Rio, São Paulo e ainda em Porto Alegre. 


Michel Camilo... 
Um dos maiores pianistas de sua geração, Michel Camilo marca presença na Série Jazz All Nights. Com uma técnica brilhante e interpretação inconfundível, ele acrescenta a sua música o tempero latino dando origem a composições inesquecíveis.

Natural de Santo Domingo, República Dominicana, Camilo transita por vários gêneros, desde o clássico até a música popular, passando, naturalmente, pelo jazz, além de dedicar sua arte à composição.  Já dividiu o palco com astros de renome como Dizzy Gillespie, Paquito D'Rivera, George Benson, Tito Puente, Herbie Hancock, Joe Lovano, Arturo Sandoval, Gloria Estefan, Celia Cruz e a Carnegie Hall Jazz Band. 

Os prêmios Grammy, Grammy Latino e Emmy que vem colecionando ao longo da carreira, com onze discos gravados, são uma demonstração de seu imenso prestígio internacional.


Hiromi...

Uma das melhores pianistas e compositoras de jazz do Japão, Hiromi tem um estilo inconfundível que conjuga técnica e energia vibrante, transformando cada apresentação em um show inesquecível.

Suas composições são enriquecidas por uma mistura de diferentes estilos, como jazz, rock progressivo e música clássica. De talento prodígio, teve como mentor, Ahmad Jamal, um dos pianistas favoritos de Miles Davis.

Acompanhada pela The Stanley Clarke Band, Hiromi conquistou em 2011 o Grammy, na categoria de melhor álbum de jazz. Ela ainda compôs um novo tema para Tom & Jerry Show, incluído no álbum “Another Mind” (2003). E seu dueto com o pianista americano Chick Corea, que fez parte da banda de Miles Davis, angariou milhares de fãs pelo mundo.


Série Jazz All Nights...

A Série Jazz All Nights foi criada em 2007 com o objetivo de criar uma nova ponte entre a plateia e o gênero de música do jazz.

Rapidamente se solidificou como um dos principais eventos musicais no calendário do país, apresentando nomes de quilate como Toots Thielemans, Madeleine Peyroux, Chucho Valdez, Arturo Sandoval, Bobby McFerrin, Branford Marsalis, Esperanza Spalding, Keith Jarrett, Brad Mehldau.

Serviço:
* Michel Camilo
Teatro Renault, São Paulo – Terça, 14 de junho – 21h.
Theatro Municipal, Rio de Janeiro – Domingo, 19 de junho – 19h.

* Hiromi - The Trio Project com Anthony Jackson e Simon Phillips
Theatro Municipal, Rio de Janeiro – Domingo, 25 de setembro – 19h.
Teatro Renault, São Paulo – Terça, 27 de setembro – 21h.
Teatro do Bourbon Country, Porto Alegre – Quinta, 29 de setembro – 21h.

Saiba mais sobre a Jazz All Nights: https://web.facebook.com/seriejazzallnights?_rdr
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* Heloísa Godoy Fagundes é pesquisadora, ghost Writer e esportista. Amante da boa música, está há 10 anos no mercado musical de revistas. Já trabalhou na extinta Revista Weril e atualmente é publisher e uma das idealizadoras da Revista Keyboard Brasil.

CONTAGEM  REGRESSIVA - Sem oferecer maiores detalhes...

GUITARRISTA DA BANDA CACHORRO GRANDE LANÇA NO SEGUNDO SEMESTRE SEU SEGUNDO ÁLBUM SOLO. 
Da Redação


Marcelo Gross é fundador, guitarrista e compositor da banda Cachorro Grande, formada em 1999 em Porto Alegre. Após 14 anos e seis discos com a Cachorro Grande, em 2014 lançou o CD “Use O Assento Para Flutuar” -  presente nas principais listas de “melhores do ano” pela crítica especializada - junto a Clayton Martin (Cidadão Instigado) e Fernando Papassoni (Detetives), formando um power trio de peso. 

Para este ano e sem dar maiores detalhes, o guitarrista se prepara para lançar seu segundo disco solo. A previsão é de que o álbum esteja na praça no segundo semestre. Neste projeto paralelo à Cachorro Grande, Marcelo Gross é novamente acompanhado pelos renomados músicos da cena paulista, parceiros do primeiro disco solo e diz: “Estou muito feliz com o repertório novo e ansioso para compartilhar com o público!”. 

Para os interessados, o jeito agora é segurar a ansiedade e esperar o lançamento porque, como sempre, vem música boa por aí!

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A CRISE E OS PROTAGONISMOS DO ESTADO E DA SOCIEDADE 

QUAL A DIFERENÇA DE AMBOS? VAMOS REFLETIR PORQUE  PARA CONSTRUIR UM BRASIL MELHOR É PRECISO ENTENDER SOBRE POLÍTICA. 
* Por Luiz Bersou

CARTAS MAGNAS...
Está claro na Carga Magna dos Estados Unidos que lá o protagonismo é da Sociedade. Lá, a atividade empresarial tem a visão da importância de ser competitiva pela meritocracia e nesse andar da carruagem construíram um país que tem seus defeitos mas, tem também, muitos méritos inegáveis. Em particular, são os americanos que deram guarida às pessoas de todos os povos, para construir mais conhecimento.

Está claro na Carta Magna do Brasil que o protagonismo é do Estado. Esse Estado nasceu com as Capitanias Hereditárias, antes de existir a sociedade e, para tudo foi estabelecido o pagar e obedecer. Tudo é filtrado e governado por um Estado de Direito, onde se consagra os direitos de todos aqueles que há décadas asfixiam a vida nacional, transformando tudo em direitos, tudo em reserva de mercado, tudo em reserva de trabalho. 

A palavra meritocracia é maldita. No seu lugar sempre aparecem os interesses dos que já estão instalados nas devidas reservas. Tudo é acordo em benefício de alguém. Competitividade e meritocracia nunca aparecem entre os fundamentos que deveriam ser as bases da nação.

PROTAGONISMO DE ESTADO...
Com base na proposta de fazer o Estado o grande protagonista da Nação, os bolivarianos construíram o Estado que é maior do que a Nação. Quando o Estado é maior do que a Nação, o seu destino natural é a perpetuidade no poder a qualquer custo, para manter o Status Quo.

As custas de um processo crescente de cobrança de mais e mais impostos, entenderam que a sua proposta era viável e se manteria no tempo. Não perceberam, entretanto, que para que o Estado seja grande é preciso que ele tenha uma enorme capacidade em desempenho de suas funções.

Como os bolivarianos não entendem o que seja produtividade e competitividade, caíram na armadilha que Margareth Thatcher (1925 – 2013) conhecida por governar com 'mãos de ferro', já descreveu no passado:

“O socialismo funciona até acabar o dinheiro de quem paga as contas. Dinheiro dos outros, que são sempre entendidos como aqueles que exploram os mais pobres”


PROTAGONISMO DE ESTADO NO AMBIENTE PÓS-DILMA...
O novo governo que tem a missão tão crítica de reconstruir o que foi destruído pelo bolivarianismo irresponsável de total e absoluta incompetência na maior parte dos seus quadros. Esse novo governo que já falou bastante, a meu ver, ainda não falou o essencial que é o grande tema da transferência do protagonismo na geração de riquezas para a sociedade.

Foi comentado nos diversos discursos, a importância de chamar empresas privadas para projetos públicos como forma de aportar investimento privado na coisa pública. Muito pouco. E o resto? 

O que a sociedade brasileira vive no momento foi muito bem expressado pela filósofa norte-americana Ayn Rand (1905 – 1982): “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que tua sociedade está condenada!”

Ayn Rand descreveu à perfeição o estrago que entidades normativas fizeram por exemplo, no nosso parque industrial que está destruído, tudo por conta de benefícios de reserva de mercado para alguns dos amigos do poder.

Sabemos o que é liberdade...
O protagonismo da sociedade, tão necessário, vai aparecer quando boa parte dos controles, regulamentos, reservas de mercado e reservas de trabalho forem abolidos. Recomendo aqui a leitura do livro “Definindo Liberdade”, de Ron Paul. Vamos perceber o quanto de liberdade o Estado que aí está já nos tirou.

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* Atualmente dirigindo a BCA Consultoria, o colaborador da Revista Keyboard Brasil Luiz Bersou possui formação em engenharia naval, marketing e finanças. É escritor, palestrante, autor de teses, além de ser pianista e esportista. Participa ativamente em inúmeros projetos de engenharia, finanças, recuperação de empresas, lançamento de produtos no mercado, implantação de tecnologias e marcas no Brasil e no exterior. 



BELA, RECATADA E DO LAR - Inspiração  para  grandes  compositores

EM UMA SOCIEDADE PRECONCEITUOSA COMO A NOSSA, A EXPRESSÃO BELA, RECATADA E DO LAR PARA SE REFERIR À UMA MULHER BONITA, CASADA COM UM HOMEM 43 ANOS MAIS VELHO E QUE, MESMO TENDO UMA PROFISSÃO, PREFERIU SER DO LAR, GEROU MUITA POLÊMICA NAS REDES SOCIAIS. ESSA ESCOLHA DE MODO DE VIDA NUNCA FOI NOVIDADE. PORÉM, O TOM MACHISTA ADOTADO POR UMA REVISTA AO APRESENTAR ESSA FIGURA COMO A MULHER PERFEITA, TROUXE À TONA A LEMBRANÇA DE MULHERES QUE MEXERAM COM O IMAGINÁRIO DE DOIS GRANDES COMPOSITORES: RICHARD WAGNER E ALBAN BERG. QUER CONHECER 
ESSA HISTÓRIA? O MAESTRO COLARUSSO EXPLICA! 
* * Por Maestro Osvaldo Colarusso


Ao ver o preconceituoso título do artigo saído há algum tempo na revista “Veja” sobre a esposa do atual presidente em exercício Michel Temer, lembrei-me imediatamente de duas mulheres “Belas, recatadas e do lar”, casadas com homens ricos e mais velhos que, por sua postura estoica frente a paixões avassaladoras de grandes artistas, acabaram por inspirar duas importantes obras primas da história da música ocidental. Mulheres que, por serem casadas, preferiram ter uma atitude recatada, recusando que um “affair” se consumasse. Nestes casos, ser “Bela, recatada e do lar” foi lucrativo para nós, os amantes da arte.

RICHARD WAGNER
Wagner na época de seu exílio na Suíça. No destaque: Mathilde Wesendonck em retrato pintado por Ferdinand Sohn, em 1850.


Richard Wagner (1813-1883), o tempestuoso compositor alemão, envolveu-se na Revolução de Dresden em 1848. Inspirado por ideais republicanas teve que fugir para a Suíça para não ser preso ou mesmo enforcado. Em Zurique, “comeu o pão que o diabo amassou”, mas não perdeu a pose: realizava palestras e chegou mesmo a dirigir concertos. Em 1852, um casal assistiu a uma de suas preleções, Otto e Mathilde Wesendonck. Ele, 15 anos mais velho que ela, era um rico comerciante de sedas, e ela, extremamente bela e culta, e que com o tempo seria mãe de cinco filhos, se interessava em artes e mesmo em culturas orientais. Um de seus requintes era dominar diversos idiomas, inclusive o sânscrito. 

Com o tempo, Otto começou a colaborar financeiramente para os custeios do compositor de forma considerável e acabou convidando o compositor e sua esposa para morarem na edícula de seu palacete. Wagner acabou se apaixonando por Mathilde, a tal ponto que até o suicídio passou em sua mente. 

Eu estive nesta “Villa Wesendonck” em Zurique e acho bem difícil concordar com os historiadores de que o caso de amor não se consumou, já que a tal da edícula fica a poucos metros da casa principal (hoje lá funciona um museu pouco conhecido). 

Wagner ficou encantado com os poemas de Mathilde e os transformou em belas canções, as “Wesendonck Lieder”. Todo o sofrimento de uma relação impossível deu ao mundo a ópera “Tristão e Isolda”, um hino a um amor ao mesmo tempo forte e impossível, afinal Isolda era casada com o pai adotivo de Tristão, o Rei Marke, seu tio. 

Por causa do escândalo feito pela esposa de Wagner, este acabou se separando dela, e abandonou Zurique. Interessante sabermos que a segunda esposa de Wagner, Cosima Liszt, sentia arrepios ao ouvir falar de Mathilde Wesendonck pois com certeza sabia da força do amor que Wagner sentira por ela. Depois de viver em Dresden e Berlim Mathilde faleceu em 1902, seis anos depois de seu marido.

Assista a carismática soprano italiana Anna Caterina Antonacci juntar-se ao jovem canadense Yannick Nézet-Séguin, Diretor Musical e maestro da Rotterdam Philharmonic Orchestra, para executar Wesendonck Lieder, de Wagner (um ciclo de canções para o que se tornaria Tristão e Isolda e escrita quando o compositor estava apaixonado por Mathilde Wesendonck).

ALBAN BERG
É sabido que Alban Berg teve incontáveis casos extra-conjugais. Em destaque: A bela e recatada Hanna Fuchs-Robertin.


Alban Berg (1885-1935) foi um dos compositores da assim chamada Segunda Escola de Viena. Em 1925, o compositor tornou-se bem conhecido pelo êxito da estreia de sua ópera Wozzeck, em Berlim. Casado com Helene Berg desde 1911 é sabido que teve incontáveis casos, mas logo após o sucesso de Wozzeck acabou conhecendo em uma viagem Hanna Fuchs-Robettin, 11 anos mais nova que ele, e pelo que se conta uma mulher de excepcional beleza. Ela era na época cunhada de Alma Mahler (viúva do compositor). 

Hanna era casada com Herbert Fuchs-Robetin, um rico industrial, e com ele tinha dois filhos. Alban Berg se apaixonou imediatamente e resolveu abrir seu coração para ela. Hanna foi muito firme, dizendo que estava totalmente fora de qualquer possibilidade abandonar seu marido e seus filhos. Berg deu um jeito para voltar a visitá-la mais algumas vezes até que ela exigiu que ele desaparecesse definitivamente. Logo em seguida à recusa de Hanna, Alban Berg deu início à composição de uma obra para quarteto de cordas, a Suíte Lírica”.

Com a morte de Hanna em 1964, sua filha descobriu entre os pertences pessoais da mãe, uma partitura da Suíte Lírica toda anotada por Alban Berg. Ela passou esta partitura para um especialista sobre o compositor, o americano George Perle. Foi ele quem compreendeu a linguagem cifrada das anotações e escreveu o importante artigo “O programa secreto da Suíte Lírica de Alban Berg” para uma revista especializada na área (Musical Quaterly).

Em resumo, são seis movimentos. Nos dois primeiros a felicidade do encontro, nos dois próximos a impossibilidade e a dor. E, nos dois últimos, o desespero e a separação. No final da Suíte Lírica há uma citação de Tristão e Isolda, de Wagner. 

Qual amor impossível Berg citava? Tristão e Isolda ou Mathilde e Richard? Como conclusão final a esta reflexão Isolda, da ópera, talvez fosse bela, mas nesse imbróglio todo foi a única que nem era “recatada e do lar”.

Ouça a gravação, feita 19 de abril de 1950, de Suíte Lírica de Alban Berg para Quarteto de Cordas, com o Quarteto original de Cordas da Juilliard School de New York.


Quarteto original de Cordas da Juilliard School de New York, composto por: Robert Mann e Robert Koff, violinos; Raphael Hillyer, viola, e Arthur Winograd, violoncelo.

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* Osvaldo Colarusso é maestro premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Esteve à frente de grandes orquestras, além de ter atuado como solista. Atualmente, desdobra-se regendo como maestro convidado nas principais orquestras do país e nos principais Festivais de Música, além de desenvolver atividades como professor, produtor, apresentador, blogueiro e colaborador da Revista Keyboard Brasil.
** Texto retirado do Blog Falando de Música, do jornal paranaense Gazeta do Povo.