terça-feira, 29 de agosto de 2017

450 anos de CLAUDIO MONTEVERDI
o maior inovador da história da música ocidental


REVOLUCIONÁRIO NA MÚSICA, CLAUDIO GIOVANNI ANTONIO MONTEVERDI, É O PRIMEIRO GRANDE NOME DA HISTÓRIA DA ÓPERA. E NÃO SE TRATA APENAS UMA CURIOSIDADE HISTÓRICA, MAS UM EXCEPCIONAL DRAMATURGO CUJAS CRIAÇÕES, ENCENADAS HOJE, CONTINUAM PERFEITAMENTE CAPAZES DE CAPTURAR A ATENÇÃO DO ESPECTADOR MODERNO. HERDEIRO DOS GRANDES MADRIGALISTAS, VISIONÁRIO DA NOVA ARTE, MONTEVERDI É UM DOS MAIORES  REFORMADORES DA MÚSICA.

* * Por Maestro Osvaldo Colarusso



Nascido há exatos 450 anos, em maio de 1567 (não se sabe a data precisa, a única certeza é que foi batizado no dia 15 daquele mês), o compositor italiano Claudio Monteverdi inventou tantas coisas que podemos arriscar chamá-lo de “o maior inovador da história da música ocidental”.

É evidente que toda esta série de inovações teriam pouca relevância se não estivessem a serviço de algumas das composições mais belas e geniais de que se tem notícia. Pelo fato de Monteverdi não ter escrito para instrumentos mais conhecidos, como o piano, ou formações instrumentais modernas, como uma orquestra sinfônica, seu nome não é citado espontaneamente pelo grande público como um dos maiores compositores da história, mas defendo que Monteverdi é um criador musical da mesma estatura de Bach, Mozart ou Beethoven. 

Monteverdi foi o primeiro autor de óperas de alta qualidade, e a prova disso é que  “La favola d'Orfeo”, de 1607 é a ópera mais antiga que é montada com frequência nos dias de hoje. Não só o enorme número de inovações, sobre as quais discorrerei neste texto, são em si uma novidade, mas é interessante notarmos que ao publicar suas primeiras obras quando tinha apenas 15 anos de idade, isso em 1582, torna Monteverdi o primeiro prodígio musical da história.  Exemplo raro, dominou duas linguagens musicais antagônicas ao mesmo tempo e, isso até o final da vida: a música sacra polifônica (do estilo de Palestrina) e a música nova que emanou das ideias de um grupo de compositores que chamamos de “Camerata Fiorentina” (do qual Monteverdi não fez parte), aquele que “inventou” a ópera. 

Se foi em Florença que as novidades musicais mais modernas daquela época (final do século XVI) foram inventadas, foi através de Monteverdi, especialmente na cidade de Mântua, que elas foram usadas a serviço de obras primas. Os compositores da Camerata Fiorentina como Caccini, Peri e Galilei, eram inteligentes e espertos  mas, Monteverdi, além destas mesmas qualidades, era o único em seu meio a ser um autêntico gênio.

– Inovações...

Talvez a mais significativa inovação de Monteverdi seja algo que é corriqueiro hoje em dia, mas que era algo totalmente impensado na época do compositor: especificar qual instrumento deveria ser utilizado num determinado trecho. Monteverdi é, portanto, o mais importante precursor da orquestração. Ele o faz, em sua ópera “Orfeo” de 1607, de duas maneiras distintas: ou em um prefácio diz quais instrumentos devem ser usados ou especifica o nome do instrumento numa determinada linha (pentagrama). Na cena em que Orfeu tenta comover as fúrias para chegar ao reino dos mortos para reaver sua amante Euridice (“Possente spirto”, terceiro ato), pela primeira vez na história, o nome dos instrumentos desejados está bem claro em cada pentagrama como mostra esta edição da época do compositor:

Monteverdi, que dominava diversos instrumentos de cordas, coloca pela primeira vez para um conjunto de instrumentos de arco a instrução de “pizzicato” (as cordas beliscadas com os dedos). De maneira bem didática, na partitura de “Combatimento de Tancredo e Clorinda” (do VIII livro de madrigais, de 1638) vem escrito num certo momento: “Aqui se se dispensa o arco e se puxam as cordas com dois dedos”. Em seguida escreve: “Aqui se pega o arco de volta”. Na mesma obra, Monteverdi cria o “tremolo”, notas repetidas de forma bem rápida, para descrever a batalha entre os dois personagens. Nesta obra, também vemos as mais antigas instruções de dinâmicas musicais: Forte e Piano. 

Além disso, ao reutilizar certos trechos musicais em sua ópera “Orfeo” (mais uma vez) para simbolizar o mundo dos mortais, pode-se dizer que ele é o precursor do “leitmotiv”, técnica que Wagner usará com frequência 200 anos depois.

– Novidades Harmônicas...

Falando de coisas mais técnicas, que envolvem conhecimentos musicais, Monteverdi foi o primeiro compositor a usar de forma constante um dos acordes mais usuais na música ocidental, o acorde de sétima de dominante. Também em suas obras temos o mais antigo uso de uma sequência harmônica conhecida como “cadência perfeita”, que definem bem claramente a tonalidade de uma música. Ele realmente fez a transição musical da renascença para o barroco, do modalismo para o tonalismo. Podemos situá-lo numa posição histórica análoga à do pintor Caravaggio, que com o “claro-escuro” faz a pintura ingressar numa nova estética.


– Óperas perdidas e esquecimento...

Das geniais óperas de Monteverdi conhecemos a primeira delas “La favola d'Orfeo” (Mântua, 1607) e as duas últimas: “Il ritorno d'Ulisse in pátria” (Veneza, 1640) e “L'incoronazione di Poppea” (Veneza, 1642), duas obras em que há dúvida de serem integralmente da autoria do autor.

Uma das maiores tragédias da história da música reside no fato de que ao menos seis óperas de sua autoria (quatro para Mântua e duas para Veneza) estarem irremediavelmente perdidas, pois suas partituras, não editadas, foram destruídas principalmente por causa de guerras, ainda no século XVII. 

Se o refinado público delineava um meio ideal de trabalho para “Orfeo”, inclusive com todos os elevados custos sendo pagos pelos nobres de Mântua, as duas últimas denotam um ambiente bem diferente: foram escritas para teatros que viviam da venda de ingressos, e para um público que buscava apenas um divertimento. Por isso são obras extremamente longas e desiguais, mas que apresentam momentos geniais, o que justifica serem montadas com frequência.

Por mais de 300 anos a música de Monteverdi permaneceu esquecida e somente no século XX, através do pioneirismo de Fracesco Malipiero na Itália e Nadia Boulanger na França, que a sua obra, aos poucos, conquistou um grande público. O maestro Nikolaus Harnoncourt foi de uma importância enorme ao revelar para o público moderno, na década de 1960,  o som dos instrumentos usados por Monteverdi em suas óperas e madrigais com seu grupo vienense “Concentus Musicus”.  

Seja na música sacra (ele foi por décadas o responsável pela música na Basílica de San Marco de Veneza), através principalmente do “Vespro della Beata Vergine”, de 1610, a mais importante obra sacra do século XVII, na música vocal, através dos 8 livros de Madrigais, ou nas óperas, a produção de Monteverdi permanece como uma das maiores glórias das artes em todos os tempos.

– Monteverdi no Brasil...
Não posso deixar de citar o nome de alguns músicos brasileiros que fizeram realizações marcantes no Brasil, divulgando algumas das obras máximas do mestre. Primeiramente lembro de Roberto Schnorrenberg, o falecido maestro paulista, que realizou em 1968 em São Paulo a primeira audição brasileira do “Vespro della Beata Vergine”. Esta mesma obra foi regida de maneira brilhante também pelo maestro Abel Rocha diversas vezes,  com diversos corais e grupos instrumentais. 

É importante lembrar do importante empenho do cravista carioca Marcelo Fagerlande, que coordenou a primeira execução brasileira da ópera “Orfeo” (Sala Cecília Meireles – 1998. Theatro Municipal do Rio – 2007). 

A cantora curitibana Marília Vargas é outro expoente no que se refere a Monteverdi, no país e no exterior: participou da histórica montagem de “Orfeo” no Liceu de Barcelona sob a regência de Jordi Savall em 2002 e inclui diversas páginas de Monteverdi em seus recitais (até em insólitas parcerias com André Mehmari). 

E não posso deixar de lembrar da excepcional competência da Camerata Antiqua de Curitiba, com a qual montei o “Sétimo livro de Madrigais”  (São Paulo 1987) e o “Oitavo Livro” (Curitiba 2001).


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Osvaldo Colarusso é maestro premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Esteve à frente de grandes orquestras, além de ter atuado com solistas do nível de Mikhail Rudi, Nelson Freire, Vadim Rudenko, Arnaldo Cohen, Arthur Moreira Lima, Gilberto Tinetti, David Garret, Cristian Budu, entre outros. Atualmente, desdobra-se regendo como maestro convidado nas principais orquestras do país e nos principais Festivais de Música, além de desenvolver atividades como professor, produtor, apresentador, blogueiro e colaborador da Revista Keyboard Brasil.

** Texto retirado do Blog Falando de Música, do jornal paranaense Gazeta do Povo.













segunda-feira, 28 de agosto de 2017

 PIANO, O REI DOS INSTRUMENTOS
- Segunda Parte - 

EM NOSSA PRIMEIRA PARTE, VOCÊ REPAROU A HISTÓRIA ESPETACULAR DO PIANO! AS CURIOSIDADES, ENTÃO, IMPRESSIONANTES! IMAGINE VOCÊ, UM INSTRUMENTO MUSICAL QUE TENHA ENTRE 4 MIL E 7 MIL E QUINHENTAS PEÇAS! DÁ PARA IMAGINAR A COMPLEXIDADE DO FUNCIONAMENTO DISSO TUDO? VAMOS, ENTÃO, COMEÇAR MAIS UM ELENCO DE CURIOSIDADES SOBRE O REI DOS INSTRUMENTOS.

* Por Luiz Carlos Rigo Uhlik

A primeira grande curiosidade é exatamente esta: um bom piano de cauda tem entre 4 mil e 7 mil e quinhentas peças. O mais interessante disso tudo é que a resistência deste instrumento é ímpar. Se você esmurrar as teclas, bater com força, nada vai acontecer.

Essa história de fechar o piano com chaves para que as pessoas, principalmente crianças, não "estraguem" o piano é fantasia. Dificilmente alguém vai conseguir quebrar o mecanismo do piano, a não ser que use um objeto contundente. O máximo que pode acontecer é a chateação de alguém fazendo do som delicado do piano um barulho infernal! Portanto, apesar de tantas peças e tantos detalhes, o piano é extremamente resistente às "porradas", no bom sentido.

Esta curiosidade é fantástica, e complementa o item anterior: um piano tem entre 210 e 230 cordas. Isso mesmo! É um instrumento percussivo, porque a ação de percussão do martelo é que gera o som; mas, também, é um instrumento de corda. E agora, José? O piano é um Instrumento de Percussão ou de Corda?

 Mais de dois milhões de pessoas, anualmente, começam a aprender música com o piano.
O Piano mais famoso do mundo foi desenvolvido por Engelhard Steinweg. Engelhard americanizou o seu nome para Henry E. Steinway em 1853. Claro! Bem mais fácil de influenciar o povo americano com um nome americanizado!

Retornando à cronologia, iniciamos o século XIX:
Veja que interessante: em 1801, Edward Riley obtém a patente para o “Transposing Piano”, um mecanismo que movimentava o teclado, lateralmente, para tocar notas em outros tons. E você achando que apertar o botão TRANSPOSE do seu Teclado, ou EP, é coisa atual, tecnologia recente...

Erard Brothers, junto com Silberman, eram os grandes fabricantes de pianos da época. Erard, disparado, o melhor piano. Tanto que, em 1803, Beethoven ganhou um de seus modelos de presente. Se transformou numa espécie de “Endorser” da marca, já que ele tinha muitos alunos importantes da sociedade! Os pianos Erard se caracterizavam pela “qualidade” sonora e pelos avanços tecnológicos implementados nos seus modelos.

Em 1808, a Erard patenteia o Agraffe; em 1809, desenvolve uma espécie de “bucha” para firmar as cravelhas e manter a afinação por um período maior. Também introduz o "Roller Double Escapement" nas partes da Ação dos Pianos, permitindo maior firmeza e velocidade nas notas repetidas. Os tecladistas ficavam loucos com estes avanços.  Podiam, dia após dia, desenvolver técnicas mais apuradas de sonoridade e interpretação!

Só em 1807 é que surge o fabricante francês de piano mais famoso do mundo: a Pleyel.

Em 1810 aparecem os primeiros “Giraffes”, pianos de cauda na posição vertical. Isso, mesmo: eram pianos de cauda em que a cauda não ficava na posição horizontal mas, sim, na vertical! O objetivo, claro, era permitir que as famílias tivessem um piano de boa sonoridade em espaços menores.

Só em 1820 é que a revolução da sonoridade do piano começa: Thom and Allen, de Londres, desenvolvem o primeiro Frame de Metal para os Grands. Isso significa que, antes desta data, os “frames” eram de madeira, o que não permitia uma boa sonoridade, tampouco, afinação. A introdução do “Agraffe”, em 1808, e o frame de metal, transformaram, verdadeiramente, a sonoridade do piano. Mas, ainda assim, o som era estranho e pouco atraente para os compositores da época. Mas, era o que tinha; e os fantásticos compositores do período transformaram a música no espetáculo que conhecemos hoje, principalmente os Concertos de Piano e Orquestra!

A revolução das 88 teclas começa somente em 1822, quando foi introduzida as 7 oitavas nos pianos Erard. Repare que Erard era sinônimo de avanço e qualidade sonora.

Lembra dos “Square Pianos”, século XVIII? Pois bem, só em 1825 Alpheus Babcock patenteia o “first single-piece metal frame” para os “Square Pianos”, em Boston. Prestou atenção? Boston! Nem na Europa os “Square Pianos” conseguiam sustentar a afinação. Teve que aparecer um americano para melhorar o desempenho desses modelos. E o Brasil só começava a sua Independência com o Imperador D. Pedro I.

Guarde bem este ano: 1826. Somente em 1826 os pianos começaram a ter a sonoridade aveludada, mais sutil, menos metálica, em função da patente de Henri Pape, que passa a utilizar feltro para recobrir os martelos. Então, é exatamente neste ano que começa a revolução do som do piano; em 1826 os pianos passam a ter a sonoridade típica dos pianos atuais. Entretanto, vou reforçar: o som ainda era fraquinho, se comparado com os pianos que temos a disposição hoje, para comprar e vender!

O mesmo Henri Pape, em 1828, passa a utilizar as cordas cruzadas nos seus modelos Uprights.

Olha que fantástico! Em 1848, Alexander Bain patenteia o primeiro piano automático, utilizando um rolo de papel perfurado. Na verdade, ele aperfeiçoou a ideia de Claude-Felix Seytre que em 1842 já havia projetado este tipo de mecanismo.

A primeira grande Feira de Pianos somente aconteceu em 1851, em Londres, onde a grande vedete era, sem sombra de dúvidas, a Erard, sinônimo de qualidade na fabricação de Pianos. Reparou? Passaram-se, praticamente, 150 anos para que o Piano se transformasse num verdadeiro produto de consumo e um grande negócio.

As mãos habilidosas de Henry Steinway, Jr. produzem os primeiros Grands com as 'cordas cruzadas'. O sucesso de Henri Pape, nos Uprights, passou a integrar a revolução das cordas cruzadas nos pianos de cauda!


A partir de 1860 os “Square Pianos” sofrem um declínio considerável nas vendas. As novas tecnologias empregadas nos Uprights e Grands agradam o público  e passam a ser o alvo dos ávidos consumidores de Pianos Acústicos da época.

A Escala Dupla, que proporciona maior brilhantismo aos sons médios e agudos, foi desenvolvida e patenteada por Theodore Steinway, em 1872. Repare: martelos recobertos com feltro, Frame de metal e Escala Dupla começam a transformar a qualidade do som do piano.

Mais uma vez a Família Steinway revoluciona a fabricação dos pianos com a patente do Pedal Sostenuto. Albert Steinway amplia o potencial de interpretação pianística com mais esta implementação!

Os japoneses entram pela porta da frente na fabricação de Pianos. Em 1878, na Paris Exhibition, surge o primeiro modelo japonês de um “Square Piano”. Os orientais chegaram tarde; mas chegaram. Os modelos Square já estavam em declínio; entretanto, a perseverança dos orientais passa a influenciar a Europa e os Estados Unidos.

Se você pensa que a Wurlitzer só fabricou pianos elétricos, está totalmente enganado. A empresa se estabelece como fabricante de Pianos Acústicos em 1880.

A Renner, mais famosa fabricante de componentes para pianos, estabelece a sua fábrica em 1882. A partir da Renner começa a segmentação do mercado de pianos, proporcionando terceirização na produção de peças e componentes.

Em 1899, Torakusu Yamaha inicia a produção de pianos em Hamamatsu.  Este é o início da história do maior fabricante de Instrumentos Musicais do Mundo. 

Vamos, então, para um pequeno resumo do que aconteceu no século XIX: 

O Piano começa, no século XIX, ter a tão sonhada qualidade sonora idealizada pelos compositores e intérpretes.
A introdução do feltro nos martelos, Frame de metal, cordas cruzadas, agraffe, escala dupla, pedais, começa a transformar o som do piano na maravilha que conhecemos hoje.

Tanto que as grandes e famosas marcas de pianos, do mundo, começaram as suas atividades neste século: Pleyel, Bösendorfer, Grotrian, Knabe, Seiler, Steinway, Blüthner, Bechstein, Mason & Hamlin, Wurlitzer, George Steck, August Foster, Feurich, Aeolian, Baldwin, Petrof, Schimmel, Estonia, Story & Clarck, Kohler & Campbell e Yamaha.

Entretanto, o mais importante foi que a especialização e exigência na qualidade do mecanismo foi tanta, que houve a necessidade de desenvolver companhias específicas para a produção de peças e componentes para o Piano, como foi o caso da Renner. Interessante, não?

Na próxima Edição, a última parte da História Fantástica do Piano!
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*Amante da música desde o dia da sua concepção, no ano de 1961, Luiz Carlos Rigo Uhlik é especialista de produtos e Consultor em Trade marketing da Yamaha do Brasil., além de colunista nas Revistas Keyboard Brasil e Música & Mercado (  http://musicaemercado.org/ ).

 foto de Maurício Jelê 




A SURPREENDENTE SONORIDADE INSTRUMENTAL DA BATERIA PELAS MÃOS DE DI STEFFANO

A MÚSICA INSTRUMENTAL BRASILEIRA É MUNDIALMENTE CONHECIDA E A SAFRA DE NOVOS ARTISTAS QUE TRILHAM O CAMINHO DA BOA MÚSICA É ABUNDANTE. ESTE É O CASO DO BATERISTA DI STÉFFANO.


Músico brasileiro com mais de vinte anos de carreira, três discos lançados e um DVD, Di Stéffano Wolff Bazilio ou, somente, Di Stéffano como é conhecido, é compositor, baterista, produtor, arranjador e educador musical. Natural do Rio Grande do Norte, o músico começou a tocar bateria desde muito cedo e, aos 10 anos, fez suas primeiras apresentações.

Radicado em Brasília após longo período no Rio, Di Stéffano realizou trabalhos com grandes nomes da música, dentre eles Boca Livre, Carlos Malta, Leny Andrade, Daúde, Dominguinhos, Sergio Farias, Ivan Mazuze, Geraldo Azevedo, Arthur Maia, Ricardo Silveira, Diogo Monzo Trio, João Donato, José Carlos Almeida, Ivan Mazuze, Marcos Lussarray, Carlinhos Veiga, Banda Canal, Guilherme Arantes, Daniel, Marcelo Martins, Ivan Lins, Leila Pinheiro, Zé Ramalho, entre outros.

Em sua música, sua sonoridade caracteriza-se em incluir elementos do samba, jazz, fusion, música nordestina; sempre com um repertório muito alegre, melódico, cheio de sutilezas com sotaques que passeiam pela música brasileira e africana.

Entre os prêmios recebidos estão o Grammy Latino 2010 com o CD “O Tempo e a Música” do baixista Arthur Maia e o de Melhores da Música Brasileira (Menção Honrosa) com o CD “Recomeço”, de 2016.

A imagem pode conter: textoRECOMEÇO (2016)
Di Stéffano

Independente

Lançado em dezembro de 2016, “Recomeço” é o terceiro disco solo de Di Stéffano. Autor e arranjador das 11 faixas (três delas em parceria), neste trabalho o músico se cercou de grandes instrumentistas: no Acordeon, Lulinha Alencar, na guitarra, Daniel Santiago, no violão, Sergio Farias e Cacá Velloso, no sax, Josué Lopez, Marcelo Martins e o moçambicano Ivan Mazuze, no piano, David Feldman, André Mehmari, Vitor Gonçalves, Emerson de Oliveira e Eduardo Taufic, na percussão Gustavo di Dalva, na clarineta Renata Menezes e no trompete e flugel, Jessé Sadoc, Fabinho Costa e Marcos Santos. Trabalho gráfico de Cleiton Martorano. Um CD primoroso que confirma ainda mais o nome de Di Stéffano na lista da nova safra de grandes músicos brasileiros.

PRINCIPAIS SHOWS
Encontro IMESUR – Chile 2016
Ivan Mazuze – Turnê Ubuntu 2016/2017
Boca Livre – Turnê Boca Livre e Ao Vivo 2007/ 2008
Carlos Malta – Turnê pelo Brasil – shows em vários festivais, dentre eles, o Mimo 2012 / 2014
Arthur Maia – Shows no Brasil e turnê pela África do Sul 2006
Ricardo Silveira – Festival Chorojazz em Jericoacoara – Ce – Brasil 2015
Casa Thomas Jeferson – Brasília – Brasil 2010, 2014 e 2017
Embaixada dos EUA em Brasília – 03 de julho de 2012
Turnê Circular Brasil – Petrobrás 2007
Sala Baden Powell – Rio de Janeiro 2010
Daniel e Orquestra Sinfônica de Brasília 2016
Guilherme Arantes e Orquestra Sinfônica de Brasília 2016
DISCOGRAFIA PRINCIPAL - SOLO
CD Ribeira Jam – 2006
DVD Di Stéffano ao Vivo – 2008
CD Outros Mares – 2012
CD Recomeço – 2016
SIDE MAN
Cd Daúde (RJ)Codigo D – Lab 40 2015
Cd Ricardo Silveira (RJ) Jeri ao vivo – Sonora Music 2016
Cd Arthur Maia (RJ) O Tempo e a Música –“Grammy Latino 2010”
Cd Arthur Maia (RJ)Ao vivo – Canal Brasil 2017
Dvd Arthur Maia (RJ) Ao vivo – Canal Brasil 2017
Cd José Carlos Almeida (DF) Dois Horizontes 2016
Cd Diogo Monzo (RJ) “Meu samba parece com quê?” 2014
Cd Diogo Monzo (RJ) “EÇA” – Fina Flor 2017
Dvd Vanessa Pinheiro (DF) – FAC 2011
Dvd Bel Maia (GO) 2013

Dvd Sergio Groove (RN)2007

ENTREVISTA...

Revista Keyboard Brasil – Você começou a tocar bateria aos 10 anos. Como surgiu o interesse e por que esse instrumento? 
Di Stéffano – A bateria e a percussão sempre me fascinaram. Comecei a me envolver com a música aos meus oito anos de idade através de meu tio Expedito quando montou uma banda de baile na cidade de Parnamirim, em Rio Grande do Norte. E, eu convivi nesse ambiente até os meus 12 anos de idade. Logo formei um grupo com meus amigos e começamos a atuar nos musicais da igreja.

Revista Keyboard Brasil – Soube que você toca um pouco de piano também. Mais algum instrumento?  
Di Stéffano – Eu sou um curioso e não me considero um pianista. Faço alguns acordes para me ajudar quando concluo uma música. Fora isso, toco percussão e ainda este ano, pretendo estudar um instrumento de sopro.

Revista Keyboard Brasil – Fale sobre sua formação musical. 
Di Stéffano – Eu sou autodidata e ao passar do tempo, já como músico profissional, participei de alguns cursos de verão e também de inverno em alguns Estados do Brasil e quando fui morar no Rio de Janeiro, tive aulas particulares com músicos renomados como Pascoal Meireles, Robertinho Silva e Cláudio Infante.

Revista Keyboard Brasil – Quais suas influências? 
Di Stéffano – Minhas influências passeiam pela obra musical de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Ivan Lins, Milton Nascimento, Herbie Hancock, Leo Gandelman e Cama de Gato. Já na área da bateria, os artistas que sempre me emocionam em tudo que já gravou e tocando ao vivo, posso citar o Carlos Bala, Paulinho Braga, Cesinha, Edu Ribeiro, Jorginho Gomes e João Barone. Curto muito seus trabalhos e o estilo de cada um. Fora do Brasil, eu gosto do Vinnie Colaiuta, Mokthar Samba e Brian Blade.

Revista Keyboard Brasil – Como é o Di Stéffano compositor? Como surge a inspiração para você?
Di Stéffano – Todas as minhas composições aconteceram da mesma forma. Posso estar andando na rua, em casa e, de repente, vem a melodia à minha mente, já com o ritmo e muitas das vezes com a ideia do instrumento que fará o tema principal da música.


Revista Keyboard Brasil – Como se deu a escolha dos músicos em seu último trabalho ''Recomeço''?

Di Stéffano – Sou amigo de todos eles e isso é um fato importante na largada desse processo de escolha dos solistas e dos acompanhantes que farão parte do CD. Faço a pré produção de cada música e, em seguida, escolho o melhor estúdio e ‘sento a mão’ (risos). 

Revista Keyboard Brasil – Como é sua rotina de estudos? Pratica todos os dias? 
Di Stéffano – Eu aprendo muito ouvindo música, mas todos os dias sento para estudar e sempre pesquiso ritmos de outros países, sobretudo os ritmos da música africana e do jazz europeu.

Revista Keyboard Brasil – Fale sobre seus projetos em andamento. 
Di Stéffano – Estou em turnê lançando o novo CD Recomeço, trabalhando com o Diogo Monzo Trio na “Turnê Luiz Eça” e ministrando workshops.

Revista Keyboard Brasil – Gostaria de deixar alguma mensagem? 
Di Stéffano – Vamos ouvir música boa, estudar, procurar bons professores e não se esquecer de cuidar da saúde. Viva os sons, viva a música!

CONTATOS:
(61) 9 8270-2583 (whatsApp) Tim / 
(21) 9 9110- 9151

E-mail: disteffanowbazilio@gmail.com.br       

SAIBA MAIS SOBRE DI STEFFANO:
https://www.facebook.com/disteffano.bazilio
https://www.youtube.com/channel/UCZdS36PuY-MQ9C4MwwVczqQ
https://www.instagram.com/disteffanodrums/

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* Heloísa Godoy é pesquisadora, ghost writer e esportista. Há 20 anos no mercado musical através da Keyboard Editora e, há 10 no mercado de revistas, tendo trabalhado na extinta Revista Weril. Atualmente é publisher e uma das idealizadoras da Revista Keyboard Brasil - publicação digital pioneira no Brasil e gratuita voltada à música e aos instrumentos de teclas.




KFK WEBRADIO  apresenta KATATONIA & OÁSIS

DECORRENTE DA NECESSIDADE CULTURAL E FALTA DE DEMANDA EM MÚSICA DE QUALIDADE NA MÍDIA OBSOLETA COMUM, A RÁDIO WEB KFK CRIOU UMA PROGRAMAÇÃO PARA QUEM DESEJA E GOSTA DE ARTE E CULTURA (MÚSICA) ELEVADA. UMA GRANDE OPORTUNIDADE GERADA PELA RÁDIO KFK PARA QUEM QUER SE INSTRUIR, ELEVAR A ALMA E OUVIR COISA DE NÍVEL!
 * Por Amyr Cantusio Jr. 

Parece fácil criar um programa, mas não é. A pesquisa de vários anos, o acesso aos arquivos, os CDS, as bandas e músicos, informações, triagem... Depois a edição, postagem, links e, finalmente, a DIVULGAÇÃO.

Relevar a  importância cultural da música secular, em especial, a Ópera, que engloba a literatura pesada, muitas vezes em  “libretos” e citações nas obras dos grandes mestres da música clássica, como: Baudelaire, Schoppenhauer, T.S. Eliot, Dostoievsky, Edgar Allan Poe, Goethe, Shaekespeare, Saint Exupery, W.H. Auden, Nietzsche, John Milton, Dante Alighieri, entre outros...

Grandes tratados teóricos musicais  foram escritos por músicos como Wagner, Beethoven, Berlioz, Saint-Seans, Arrigo Boitoc... Além dos muitos músicos e poetas que foram críticos musicais de jornais e periódicos como  Heine, Bernard Shaw, Baudelaire, Felici Romani e o próprio Wagner.

Apresentado por Amyr Cantusio Jr. e Cathia Cantusio, o Katatonia & Oásis tem o objetivo de, no século XXI, citar os artistas que resgataram a forma nobre da música desde o período medieval ao clássico/romântico. No momento, focando a Ópera. Ou seja, uma nova versão operística atual mais densa e pesada com bases que remontam libretos medievais com dragões e elfos, música profana e sacra, e tantos outros. A começar por músicos do século XI, como Hildegard Von Bingen, Palestrina, Orlando di Lasso, Monteverdi, Lully, Rameau, Vivaldi, entre outros grandiosos.

Esta música hoje está diluída principalmente no Rock dos anos 70 em bandas como Rainbow, Deep Purple, Yingwie Malmsteen Group, centenas de bandas progressivas como EL&P, Trace, Triunvirat, Ekseption  e, atualmente, em grupos de Gothic e Symphonic Rock como Rhapsody, Therion, Within Temptation, Epica, Nightwish, Lacrimosa, etc...

Ou seja, tudo se recicla e nada se perde. Mas a informação do veículo de massas está podre, obsessivamente focada no lixo para manipulação do gado. Então, daí a necessidade de programas “alternativos” para quem quer se instruir, elevar a alma e ouvir coisa de nível!


SERVIÇO: Katatonia & Oásis é apresentado por Amyr Cantusio Jr e Cathia Cantusio, todas as quartas-feiras, das 20:00hs às 22:00hs. Reprise aos DOMINGOS das 16:00hs. às 18:00 hs. Sintonize e participe ao VIVO no CHAT que fica aberto durante o programa, para comentar, perguntar, interagir!
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*Amyr Cantusio Jr. é músico (piano, teclados e sintetizadores) compositor, produtor, arranjador, programador de sintetizadores, teósofo, psicanalista ambiental, historiador de música formado pela extensão universitária da Unicamp e colaborador da Revista Keyboard Brasil.



AVISO AOS NAVEGANTES

O SETOR DE CRUZEIROS MARÍTIMOS, DENTRO DOS COMPONENTES DA INDÚSTRIA MUNDIAL DE VIAGENS, É O QUE APRESENTA O CRESCIMENTO MAIS ACELERADO. TAMBÉM, PUDERA! COM GRANDE VARIEDADE DE COMPANHIAS, ITINERÁRIOS DE SONHO, CONFORTO, COMODIDADE E FACILIDADES DE PAGAMENTO, CADA VEZ MAIS PESSOAS OPTAM POR EMBARCAR EM UM NAVIO DURANTE O PERÍODO DE FÉRIAS. E O QUE NÃO FALTA, DE JEITO NENHUM, EM CRUZEIRO – DEPOIS DA COMIDA – É ENTRETENIMENTO, MAIS PRECISAMENTE, MÚSICA! HOJE, A COLUNA É BASEADA EM CAUSOS QUE ACONTECERAM  COMIGO!

  * Por Hamilton de Oliveira


Trabalhar em navios de cruzeiro tem lá suas peculiaridades. Certa vez, estava eu embarcado no famoso Splendour of the Seas em um cruzeiro que seguia pela costa brasileira com destino a Búzios. Em um determinado momento, me vi diante do dono de uma das vozes mais famosas do telejornalismo brasileiro, ninguém menos que Cid Moreira, o homem do bordão “Boa noite” e do “E agora Mr. M.??!!  Me conte seu segredo...”

Fiquei emocionado com a presença do ilustre do jornalista. Nesse momento, eu estava com a banda tocando Tim Maia no deck da piscina, sob um sol de “rachar a cuca”. Não pensei duas vezes e fui até ele para conversar. Mais perto, o chamei para falar um “Boa noite” ao microfone e pude notar que o Cid estava um pouco “para lá de Bagdá”, talvez pelos whiskies famosos do navio ou pelas famosas caipirinhas onboard

Como era de se esperar, ele não quis atender meu pedido naquele momento, mas aceitou tirar uma foto comigo e, com um sorriso de timidez, voltou para o Casino, de onde havia saído para tomar um ar no deck da piscina, com a promessa de finalizar o baile de gala com seu famoso bordão.

Em um outro momento das minhas viagens pelo mundo afora, estávamos em saída de Ilhabela com destino a Santos, dessa vez no Island Escape, uma companhia inglesa de navios de cruzeiro. Nesse dia, uma tempestade se aproximava. O comandante inglês, teimoso, insistia em sair, mesmo sendo avisado pelos tripulantes e por outros oficias sobre o perigo dos ventos fortes em alto-mar nessa região. 

Enquanto isso, eu tocava meu piano tranquilamente no local mais chique do navio, o piano bar. Passados vinte minutos da nossa saída da ilha, percebi que o navio começou a inclinar uns catorze graus. Copos e pratos caiam das mesas e os passageiros começaram a ficar desesperados e buscar por um local seguro para ficar, ou seja, onde eu estava. 

A diretora de cruzeiro, brasileira e muito inteligente, pediu para que eu tocasse algo que pudesse acalmá-los nesse momento perigoso. Não pensei duas vezes e toquei o tema do “Titanic” ao piano. No final, o navio não afundou, mas quase fui jogado ao mar pelos passageiros enfurecidos com seus coletes salva-vidas gritando: - “Jack, Jack!!"...

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* Hamilton de Oliveira iniciou seus estudos no Curso de MPB/Jazz no Conservatório de Tatuí, formou-se em Licenciatura pela UNISO no curso de Música e Pós-graduou-se pelo SENAC em Docência no Ensino Superior. É maestro, tecladista, pianista, acordeonista, arranjador, produtor musical, professor e colaborador da Revista Keyboard Brasil.





ORDEM DOS MÚSICOS: MAIS DIGNIDADE E RESPEITO AO MÚSICO

APOSENTADORIA DOS MÚSICOS, TÉCNICOS DE SOM E ILUMINADORES: O QUE ISTO INFLUENCIA NO SEU NEGÓCIO COM A MÚSICA?

 * Redação

Enxergar o futuro da profissão é elementar na escolha de uma carreira. Assim sendo, a  ANAFIMA (Associação Nacional da Indústria da Música) juntamente com a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil), Sindimúsica e o Sindicato dos Músicos se uniram  para trabalhar causas em comum e desenvolver o mercado junto a Superintendência do INSS.

Esta ação é inédita: nunca na história da OMB a aposentadoria para a classe musical foi pauta ou trabalhada para que se regulamentasse, mesmo sendo peça fundamental para um mercado maduro.

Para os músicos com idade avançada, o sistema será baseado na previdência  dos agricultores. Estabelecer um projeto de médio/longo prazo agora é meta. Uma iniciativa louvável e real. 



Conheça o trabalho de cada entidade: 
http://www.anafima.com.br/site/
http://www.ombmg.org.br/