Salve
músicos e aprecia-dores da música, essa arte que faz parte da nossa vida, desde
antes mesmo de nascer porque somos capazes de recordar melodias escutadas
dentro do ventre materno, as canções da nossa infância e aquelas que nos
acompanham durante as distintas etapas de nossa vida. É certo, então que a
música faz parte do nosso caminhar. E está dentro e fora de nós mesmos.
Ainda
que se trate de uma experiência pessoal - cada um a sente e percebe de uma
maneira completamente distinta - é comprovado que todas as manifestações
musicais do mundo tem a mesma base emocional que é percebida por qualquer
pessoa, de qualquer país, de qualquer cultura.
E,
assim, buscamos os sons. Necessitamos nos contagiar com essa harmonia, essa
perfeita combinação de sons e silêncios porque somos seres musicais. Por isso
convido você, leitor, a se deixar contagiar por mais uma edição da Revista
Keyboard Brasil, a começar pela matéria de capa com a impressionante pianista
brasileira Débora Halász, que atualmente faz parte do time de talentos da
Virtuosi Produções. Partindo para o mais novo trabalho de Diogo Monzo, o
tributo ao grande pianista Luiz Eça. Fique por dentro, também, da agenda musical deste mês com a Sinfionetta
Paulista. Sobre tecnologia em instrumentos musicais, este mês o renomado músico
Fábio Ribeiro apresenta sua visão sobre o Korg Krome. Nesta edição, nossos
colaboradores também trazem matérias sobre o mercado cerimonial e a importância
multifuncional do profissional na Educação regular, além da importância de se
aprender um instrumento musical. Nomes como John McLaughlin, os brasileiros
Lulu Martin, Wemerson de Souza Melo 'Pequeno' e Thiago Rosário completam a
Revista Keyboard Brasil número 46, que ainda conta com a dica técnica de Amyr
Cantusio Jr, trazendo a música Enjoy the Silence, da banda Depeche Mode.
A
todos desejo uma excelente leitura e, não esqueçam: cliquem, curtam,
compartilhem e façam seus comentários, porque somente assim podemos melhorar o
que fazemos com paixão. Isso tudo é para vocês!
Fiquem
com Deus e que a música possa contagiar a vida de todos!
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* Heloísa Godoy Fagundes é pesquisadora, ghost writer e esportista. Há 20 anos no mercado musical através da Keyboard Editora e, há 10 no mercado de revistas, tendo trabalhado na extinta Revista Weril. Atualmente é publisher e uma das idealizadoras da Revista Keyboard Brasil - publicação digital pioneira no Brasil e gratuita voltada à música e aos instrumentos de teclas.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
O FORRÓ ARRETADO DA BANDA DA FEIRA
INFLUENCIADA
POR VÁRIOS RITMOS DO PAÍS, PORÉM COM UM FORTE TRABALHO DE PESQUISA VOLTADO AO
FORRÓ PÉ-DE-SERRA. CONHEÇA A BANDA QUE VEM DE SOROCABA (INTERIOR DE SÃO PAULO)!
Você gosta de forró, baião, xote, côco, xaxado, baião, ijexá, maracatu e boi? Então, hoje falarei da Banda da Feira, formada por músicos de Sorocaba com raízes no Nordeste, e que surge no cenário musical trazendo a verdadeira essência do forró pé-de-serra.
Criada em 2014, ainda com o nome de “Antônio Freire Quinteto”, começou tocando em bares e teatros da cidade de Sorocaba e, após três meses, já estava tocando nos Sescs por todo Estado de São Paulo com o show “Tributo a Luiz Gonzaga”.
Em 2015 lançavam o show “Vertentes do pé de serra”, o qual trazia para o palco os mais variados ritmos do Nordeste como forró, baião, xaxado e xote em músicas autorais e de compositores consagrados como Luiz Gonzaga, Jackson Do Pandeiro, Dominguinhos, Alceu Valença e Geraldo Azevedo, o que atraiu a atenção do público por ter um repertório extremamente voltado ao forró tradicional, que até hoje é a marca registrada do grupo, formando uma identidade própria.
A banda é formada por Antônio Freire (guitarra, viola, violão e voz), Marco Corrêa (percussão), José de Sá (percussão), Rodrigo Ferreira (baixo e cavaco) e Hamilton de Oliveira (acordeom).
Em junho de 2017 lançará seu mais novo cd por meio da LINC (Lei de Incentivo à Cultura) de Sorocaba no Teatro Municipal Teotônio Vilela. O projeto foi gravado no estúdio da Gargolândia em Alambari-SP e contou com presenças ilustres de Enok Virgulino do ''Trio Virgulino'', Beto Correa, Cleber Almeida e o rabequeiro Filpo Ribeiro do grupo "Filpo Ribeiro e a Feira Do Rolo".
Segundo Antônio Freire, ''a Banda da Feira é de grande riqueza cultural, trazendo variedades rítmicas sempre dentro do contexto da música regional, especialmente do nordeste brasileiro, e que leva para o palco as riquezas do Brasil em forma de música''.
Para Marco Correa, ''a Banda da Feira é um grupo de música tradicional brasileira, influenciado por vários ritmos do país, porém com um forte trabalho de pesquisa voltado ao Forró pé-de-serra, onde o tradicional e o moderno se misturam e se fundem por meio de timbres e instrumentos como: guitarra, cavaco, baixo, sanfona, zabumba e triângulo''.
Curiosidades sobre alguns ritmos do Nordeste...
Baião...
O Baião é um dos principais gêneros musicais constituintes do Forró e tem, como autor e principal expoente, Luís Gonzaga. Apesar da origem obscura, com certeza sua popularização se deu com a vinda de Gonzaga para o Rio de Janeiro, na década de 1940, o que fez com que o baião fosse cada vez mais difundido. Este tem um ritmo binário, que provavelmente deriva do lundu africano. O lundu africano foi levado ao Nordeste com o nome de baiano, e teria sofrido uma "colisão homonímica" com o verbo bailar, de onde teria saído a termo baião.
Xote...
Já o Xote, de origem europeia - surgido no Brasil nos salões aristocráticos da época da Regência, ao final do século XIX saiu dos salões urbanos para incorporar-se às regiões rurais, onde muitas vezes aparece com outras denominações. Luís Gonzaga teria afirmado que o xote "veio do estrangeiro", mas no sertão eles criaram o "Xote malandro, Xote pé-de-serra, Xote de forró", o qual não mais era "do estilo escocês". Assim como o Baião, o Xote tem um ritmo binário mais lento que a polca. Há quem diga que é uma dança originariamente alemã e, outros, que seria húngara. Na realidade, independentemente do local de origem, no Brasil já é um gênero muito aceito, executado e dançado.
Xaxado...
O mestre Luís Gonzaga teria definido o Xaxado como a dança dos cangaceiros, dançada em roda, batendo o rifle. Segundo a Enciclopédia de Música e o historiador Luís da Câmara Cascudo, o Xaxado é dançado em círculo e em fila indiana, sem volteio, avançando o pé direito em 3 e 4 movimentos laterais e puxando o esquerdo, num rápido e deslizado sapateado. O nome da dança, desta forma, é uma onomatopeia do som característico produzido pelas sandálias arrastadas no chão.
* Hamilton de Oliveira iniciou seus estudos no Curso de MPB/Jazz no Conservatório de Tatuí, formou-se em Licenciatura pela UNISO no curso de Música e Pós-graduou-se pelo SENAC em Docência no Ensino Superior. É maestro, tecladista, pianista, acordeonista, arranjador, produtor musical, professor e colaborador da Revista Keyboard Brasil.
PHILIP GLASS É INSPIRADO POR MILHARES DE
RAZÕES, PESSOAS, SONHOS E PALAVRAS. SUA MÚSICA CARREGA TODA UMA EXTRAORDINÁRIA
TRAJETÓRIA. UMA MÚSICA QUE TRANSBORDA SENTIMENTOS. SEU DOM O FEZ NÃO SOMENTE
SER UM DOS PAIS DE UM ESTILO – O MINIMALISMO – MAS, TAMBÉM, O CONSAGROU COMO UM
DOS MAIS REVERENCIADOS COMPOSITORES CONTEMPORÂNEOS.
Philip Glass nasceu em Baltimore, Maryland, em 31 de janeiro de 1937, filho de Ida e Benjamin Charles Glass. Sua família era composta por imigrantes judeus da Lituânia.
Em 1964, Glass recebeu uma bolsa para estudar em Paris com a eminente professora de composição Nadia Boulanger, desde o outono de 1964 até o verão de 1966. Esta experiência influenciou seu trabalho ao longo de sua vida, como o compositor admitiu em 1979: "Os compositores que estudei com Boulanger são as pessoas que ainda penso na maioria - Bach e Mozart " .
Glass trabalhou no inverno 1965 e na primavera de 1966 como diretor e compositor de música em um filme (Chappaqua, Conrad Rooks, 1966) com Ravi Shankar e Alla Rakha, que deram uma outra importante influência no pensamento musical de Glass. Seu estilo pessoal surgiu de seu trabalho com Shankar e Rakha e sua percepção do ritmo na música indiana como sendo um elemento inteiramente novo.
O compositor renunciou a todas as suas composições em um estilo moderadamente moderno semelhante ao de Milhaud, Aaron Copland e Samuel Barber, e começou a escrever peças baseadas em estruturas repetitivas de música indiana e um senso de tempo influenciado por Samuel Beckett.
A fase não é um fator importante na música de Philip Glass. Ao invés disso, o foco está na repetição, pulso e na harmonia triádica. A abordagem normal que Glass faz em sua música mais recente é estabelecer um tempo através de um acorde pulsando como fundo, onde várias figuras de acompanhamento são postas. Mudanças de harmonia são feitas sem perturbar o pulso ou as figuras de acompanhamento.
Após algum tempo, uma abrupta mudança de centro tonal, embora mantendo o pulso original, anuncia uma nova seção com novas figuras de acompanhamento. Philip Glass encontrou um grande sucesso popular, capacitando-o a embarcar em grandes projetos. Entre eles, incluem-se as óperas Einstein on the Beach (1975), Sathyagraha (1980), The Photographer (1983), The Civil War (1984) e Akhnaten (1985) e a música para o filme Koyaanisqatsi (1982), bem como colaborações com várias companhias de dança.
O minimalismo representou um caminho diverso aos compositores europeus. Enquanto esses trilhavam o caminho do serialismo integral levando suas abras ao atonalismo absoluto, os minimalistas foram pelo caminho oposto criando uma música tonal e melódica que influenciou não somente novas gerações de compositores eruditos, mas também do mundo do jazz, do rock e da música pop, em geral.
Ouça a obra Kayaanisqatsi, assim como a belíssima Metamorphosis para piano solo.
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* Sergio Ferraz é violinista, tecladista e compositor. Bacharel em música pela UFPE, possui seis discos lançados até o momento. Também se dedica a composição de músicas Eletroacústica, Concreta e peças para orquestra, além de ser colunista da Revista Keyboard Brasil.
BOURBON STREET MUSIC CLUB
UM AMBIENTE INTIMISTA, CHARMOSO, EXTREMAMENTE
CONVIDATIVO E SITUADO NA CIDADE DE SÃO PAULO. ESTOU FALANDO DO BOURBON STREET
MUSIC CLUB!
Música
é tudo de bom e por que São Paulo é considerada a capital de todos os ritmos?
Porque dentre tantas casas de shows, uma faz história há mais de duas décadas.
Qual
endereço na cidade pode se dar ao luxo de expor logo na entrada uma guitarra
autografada por B.B.King ou o colorido paletó de Ray Charles exposto atrás de
um vidro? Ou um sem-número de fotos autografadas que compõe a decoração?
Seja
nas mesas iluminadas por velas, seja no balcão que reproduz um piano, o Bourbon
Street Music Club situado no bairro de Moema, é uma das mais famosas e
incríveis casas que conta com
apresentações diárias de jazz, blues, soul, rock e ritmos latinos. O palco
baixo aproxima os músicos da plateia, tornando os shows mais intimistas.
Por
lá já passaram mais de 700 artistas consagrados internacionalmente, como
B.B.King, Ray Charles, Nina Simone, Diana Krall, Johnny Rivers, Dianne Schuur,
Marcus Miller, Billy Paul, Ron Carter, Take Six, Koko Taylor, Chucho Valdés,
Jimmy Smith, John Pizzarelli e, no próximo 1 de maio, será a vez do fantástico
Cory Heny. O astral do Bourbon Street é tão mágico e inexplicável que a boa energia
acontece naturalmente, propiciando as famosas jams, como aconteceu com George
Benson, Vernon Reid (Living Colour) e Ron Wood (Rolling Stones), entre tantos
outros.
Vozes
nacionais nos estilos MPB, soul e jazz também têm a sua vez. A casa já contou com apresentações de estrelas como Nana Caymmi, Naná Vasconcelos (RIP), Elza Soares, Ed Motta, Jorge Ben Jor, Pedro Mariano, Cláudio Zoli, Paula Lima, Patrícia Marx, Maurício Manieri, Leny Andrade, Romero Lubambo, Zimbo Trio, Dori Caymmi, Toninho Horta, Léo Gandelman, Robertinho Silva, Baden Powell, João Donato, Duofel, Max de Castro, Simoninha, Luciana Mello e Jairzinho Oliveira.
O Bourbon Street possui todos os itens necessários para o sucesso: excelência na preparação de eventos e shows, ótima infraestrutura e impecável gastronomia. Os paulistanos estão em boas mãos!
A HISTÓRIA... TRAJETÓRIA ÍMPAR E SINGULAR!!
O Bourbon Street Music Club foi fundado no dia 13 de dezembro 1993. Sua criação foi idealizada por um veterinário, músico e visionário que se apaixonou pela cidade de New Orleans (EUA) – berço do jazz e da música negra – logo em sua primeira visita. Inspirado pela magia e singularidade do lugar, Luis Fernando Mascaro abraçou o sonho de trazer um pedaço daquela cidade para São Paulo.
Depois de compartilhar a ideia com o amigo e cunhado Edgard Radesca, engenheiro e amante do Jazz, viajaram novamente a New Orleans para dar início à concretização do projeto-sonho: construir um templo da música negra, trazendo a magia dos bares de New Orleans também na arquitetura, ambiente, culinária, além dos drinks típicos.
Outros dois cunhados se juntaram ao projeto e após quatro anos de uma obra que parecia interminável, a inauguração do clube noturno foi um sucesso estrondoso. Plateia lotada e shows inesquecíveis do saudoso mestre do blues B.B. King - que acabou se tornando o padrinho da casa.
Mais do que uma casa de shows, o Bourbon Street se revelou como um lugar agradável, original e intimista, inspirado nas casas da famosa rua do French Quarter de New Orleans. Paredes de tijolo à vista, colunas com arcos de ferro retorcido, mezaninos ornamentados com janelas rústicas e luminárias, sem esquecer do famoso bar piano (balcão em forma de piano de cauda com as teclas desenhadas).
Hoje, o Bourbon Street é sinônimo da boa música ao vivo. Tornou-se ponto de referência em São Paulo e no Brasil, e já está na história do circuito do jazz e do blues mundial.
ENTREVISTA...
Revista Keyboard Brasil – Primeiramente gostaria de parabenizar pela infraestrutura e seriedade com que você comanda a casa.
Edgard Radesca – Obrigado pelas palavras Heloísa. A infraestrutura é ponto de honra da casa desde a sua abertura, com equipamentos sempre de alta qualidade e atualizados. Hoje em dia, toda a casa é Yamaha. Uma parceria muito importante para quem precisa ficar aberto de terça-feira a domingo, porque temos um piano híbrido fabuloso o N3GMCWN, porque não requer afinação, ele emula maravilhosamente e grandes pianistas tocam com ele aqui. Então, a infraestrutura é uma questão de honra da casa e raramente a gente tem que acrescentar alguma coisa. Para você ter uma ideia, quando Pat Metheny veio tocar no Brasil ele procurava, além de um grande show, fazer numa casa menor, uma coisa mais jazzística. A única casa no Brasil que atendeu tecnicamente Pat Metheny foi o Bourbon Street. Esse é um exemplo de vários outros. Quanto à sonoridade, faz parte dessa filosofia, de fazer a coisa bem feita, a honestidade e a qualidade. Qualidade aliás, é ponto de honra da casa! Tenho uma equipe excelente! Parceiros que formam uma grande família, seja na área de bar e restaurante, que são sempre muito elogiados e na área de produção técnica, com parceiros fabulosos, a começar por Herbert Lucca, Inês Medaglia, a Maria Fernanda e o Andrew que cuida da parte técnica e os nossos operadores Sérgio e Zinho. Então, toda essa equipe é responsável pela alta qualidade da casa, porque ninguém faz nada sem ter em volta, gente motivada e altamente competente.
Revista Keyboard Brasil – Quando você e seu sócio, Luis Fernando Mascaro, se juntaram para a criação do Bourbon Street Music Bar, imaginaram que a inauguração do clube noturno seria um sucesso estrondoso? A que se deveu esse sucesso?
Edgard Radesca – Bom, você cria uma coisa sempre pensando alto, pensando no melhor. Isso é um motivador. Fomos à New Orleans tentar que a cidade se empolgasse e patrocinasse esse projeto. Não conseguimos dinheiro, mas conseguimos entusiasmá-los. Isso só foi possível porque a gente se propôs a ser uma casa diferenciada em que a qualidade técnica e dos artistas fossem completamente diferenciados. E, sobre o sucesso, vou usar uma frase de uma amiga, a Tiê. Disseram um dia para ela: - Puxa! Que sorte que você tem de ter uma música sua na novela. E, ela disse assim: - É, mas para ter sorte, você precisa ralar muito, precisa trabalhar muito! Então, o sucesso que a casa tem é fruto de muito trabalho. Trabalho dessa equipe fantástica, sempre motivada, que busca o melhor! Procuramos inovar sempre! Então, se a gente imaginava - Luiz e eu - que a casa seria um sucesso, eu digo sim! Mas, talvez, tenha sido muito maior do que a gente pensou. E, como eu disse, esse sucesso se deve a muito trabalho e, acredito que fomos abençoados em muitas situações, como ter a felicidade de ter B. B. King inaugurando a casa e tantos nomes importantes como Ray Charles, Nina Simone, Pat Metheny, Diana Krall, Joss Stone, Jorge Benjor, Milton Nascimento, Ney Matogrosso e tantos outros. Os projetos que fizemos e que são sucesso como é o caso do Festival Bourbon Fest, ou o próprio Festival de Parati e, agora, o Festival de Blues de Ilhabela. Enfim, você tem que ir atrás, batalhar e se empenhar de fato. Boa equipe é um fator importantíssimo, desde que a casa abriu, temos a coerência no estilo de música, na qualidade da música. Nunca nos curvamos a fazer uma coisa que não tivesse qualidade, somente por dinheiro, e olha, tivemos muitas propostas! Todas recusadas!
Revista Keyboard Brasil – O saudoso B.B. King é o padrinho da casa. Possuía uma lista de nomes para essa função ou B.B. King foi escolhido de bate-pronto?
Edgard Radesca – Sobre o B. B. King, ele não é apenas o padrinho da casa, ele faz parte da história da casa. Mas antes vou falar sobre essa maravilhosa pessoa, antes de ser um grande músico. Foi uma aventura conseguir trazer o B. B. King. E essa foi uma das bênçãos em nossa história. Estava difícil conseguir alguém para a abertura da casa e quando eu liguei para o escritório dele e, naquela época, não existia internet, pedi o show para nosso clube. Me disseram que B. B. King só fazia grandes shows, grandes teatros. Mas, eu insisti e até disse que poderíamos comprar um pacote de vários shows. A moça do outro lado da linha disse que, por uma coincidência, o B.B. King estaria viajando para a América do Sul porque tinha shows no Chile. Ela me passou o telefone do empresário chileno e eu liguei para ele. A desistência de um empresário brasileiro fez esse chileno realizar um leilão. Quem desse mais, levava o show do B. B. King. Então, como foram 4 anos de construção da casa, tivemos a ideia de fazer o que hoje chamamos de ‘vaquinha entre amigos’. E, dias depois, nos ligaram dizendo que havíamos ganhado o leilão. Só depois de muito tempo descobrimos que o próprio B. B. King resolveu tocar no Bourbon porque viu o esforço tremendo em tê-lo. O B. B. King se tornou mais do que um amigo. Organizei para ele mais de 40 shows no Brasil, não somente no Bourbon. Foi um privilégio conviver com esse ser humano fabuloso! Quando ele faleceu, eu fui o único brasileiro que prestou homenagem a ele lá.
Revista Keyboard Brasil – Como surgiu a ideia do palco baixo aproximando os músicos da plateia?
Edgard Radesca – Nos inspiramos em New Orleans, onde a plateia troca energia com o músico. No projeto, essa era a nossa referência de música contagiante, com a participação da plateia.
Revista Keyboard Brasil – De onde veio a inspiração para a criação do famoso bar piano (balcão em forma de piano de cauda com as teclas desenhadas)?
Edgard Radesca – A ideia do bar piano veio das duas meninas que nos ajudaram na construção da casa. Ana Helena, irmã da minha esposa e a sócia dela. Elas se inspiraram em um bar circular que havia em um navio e criaram essa ideia genial que adotamos.
Revista Keyboard Brasil – Fale sobre o Bourbon Street Fest.
Edgard Radesca – O Bourbon Street Fest é uma das grandes realizações da casa, além das turnês. É o Bourbon Street saindo da casa e indo para as ruas e para o Brasil. O Bourbon Fest era para acontecer apenas na comemoração dos 10 anos da casa. Queríamos mostrar que em New Orleans não tem somente o Jazz tradicional. Lá tem Jazz, Blues, R&B, tem piano, trompete, tem Gospel... Uma imensa variedade de ritmos. Então, resolvemos fazer o festival de novembro até março. A primeira experiência em um festival grande e na rua, foi uma experiência maravilhosa e, também tivemos a experiência em como lidar com problemas como a chuva, por exemplo. Já foram 13 edições do Bourbon Street Fest. Esse ano, com a ajuda dos patrocinadores teremos a 14?ª . É uma realização de todos nós.
Revista Keyboard Brasil – Por que escolheram a cidade de Paraty para sediar o festival que leva o nome da cidade, o Bourbon Festival Paraty?
Edgard Radesca – O Bourbon Street Fest saiu de São Paulo e passou a ser feito em outras cidades como no Rio de Janeiro, Brasília, Natal, Goiânia entre outras. O fato é que se consagrou em todo o país. A cidade de Parati nos convidou para realizar um evento turístico de música porque eles só tinham a FLIP. Foi um trabalho grande, mas com um sucesso tremendo em todas as 8 edições. Por que escolhemos? Bom, é longe, dá muito trabalho, mas quando chegamos lá e vemos a paisagem, a natureza, a cidade colonial preservada, juntamos tudo isso com uma música de altíssima qualidade e aí só pode dar certo! A cidade inteira é invadida pela música!
Revista Keyboard Brasil – Muito obrigada pela entrevista e sucesso!
Edgard Radesca – Antes de terminar eu queria dizer mais algumas palavras. Como eu disse, é uma equipe maravilhosa, mas não falei de duas pessoas importantíssimas também! Minha esposa Célia Radesca, que dá a alma e o toque feminino de sensibilidade, seja na decoração, na gastronomia ou na sugestão musical. Ela é muito importante nessa grande família. E, também, a nossa querida Maria Inês Costa, nossa assessora de imprensa! Muito obrigado à Revista Keyboard Brasil e a você Heloísa por essa oportunidade de poder falar sobre o Bourbon Street!!
O BOURBON E SUAS VERTENTES...
Após anos de tradição na cidade de São Paulo, foi criada uma das vertentes do Bourbon, o Bourbon Street Fest, pioneiro e um dos maiores festivais de música negra americana no Brasil. ( http://www.bourbonstreetfest.com.br/ )
O Bourbon Festival Paraty segue a tendência dos grandes festivais de jazz e blues do mundo mesclando vertentes do gênero a outros ritmos como r&b, soul e world music.
Consolidado como um dos mais importantes festivais de música do Brasil, o Bourbon Festival Paraty , que caracteriza-se por irradiar música pela charmosa cidade litorânea e colonial, tem dois palcos ao ar livre - nas praças da Matriz e da igreja Santa Rita - e artistas que atuam como buskers (músicos de rua).
Nas edições anteriores, mais de 150 mil pessoas puderam desfrutar momentos inesquecíveis, em shows memoráveis em um dos cenários mais paradisíacos do Brasil. ( http://www.bourbonfestivalparaty.com.br/#Home Start )
* Heloísa Godoy Fagundes é pesquisadora, ghost writer e esportista. Há 20 anos no mercado musical através da Keyboard Editora e, há 10 no mercado de revistas, tendo trabalhado na extinta Revista Weril. Atualmente é publisher e uma das idealizadoras da Revista Keyboard Brasil - publicação digital pioneira no Brasil e gratuita voltada à música e aos instrumentos de teclas.
ELIANE ELIAS LANÇA DISCO DE JAZZ COM INFLUÊNCIA
DO SAMBA
Radicada
nos Estados Unidos desde 1981, a pianista, cantora e compositora paulistana Eliane Elias
está lançando seu mais novo trabalho, Dance Of Time.
O
projeto contém regravações do jazz com elementos do pop e do samba. As versões
das músicas misturam letras em português e em inglês. O disco tem participação
de Toquinho na música “Samba de Orly”.
O
álbum chega nas plataformas digitais em breve.
terça-feira, 2 de maio de 2017
O SOM DO PIANO NO PIANO DIGITAL!
QUER
A RESPOSTA PARA A DÚVIDA DE QUEM REALMENTE PODE SAMPLEAR O SOM DO PIANO PARA
QUE ELE SEJA FIEL AO PIANO ACÚSTICO? LEIA
COM ATENÇÃO E FAÇA A ESCOLHA CERTA!
Se
você tivesse que samplear o som do piano para desenvolver um Piano Digital ou
para, simplesmente, ter o som do piano que você gosta, como você agiria? Que
tipo de piano você escolheria?
Cauda
Concerto, Meia Cauda, Baby Grand, Upright? Qual
a marca do Piano, baseado na sonoridade que você gosta? Qual
a idade do piano e onde encontrá-lo? Quem
ajustaria e afinaria o piano para que você pudesse tirar o melhor som dele, é
claro?
Que
tipos de microfones você escolheria? Em
que posição estes microfones devem ficar para você captar o som do piano?
Quantos
microfones? Como
você resolveria a questão dos 'ruídos' provocados pelo acionamento do mecanismo
do piano? E os
ruídos da ambiência?
Como
você definiria o tipo de ataque, em cada tecla, para 'armazenar' o som do
piano?
Quantos
toques você definiria como suficientes para samplear o melhor da sonoridade do
piano?
Como
você processaria todos esses sons? Que
tipo de classificação e resposta você daria para cada velocity? Como
é o nome da sua mãe, mesmo?
Percebeu? Samplear o som do piano
não é para quem quer; é para quem pode. Aí vem a pergunta: quem pode samplear o
som do piano para que ele seja, realmente, fiel ao piano acústico? Afinal de
contas, não é essa a sua proposta? Ter o melhor som do piano acústico num
Instrumento Portátil e Digital?
Fiz um estudo aprofundado sobre a
forma de 'sampleamento' do som dos
pianos das diversas marcas de Pianos digitais disponíveis no Brasil. Se
precisasse escrever sobre os EPs disponíveis pelo mundo, também posso divulgar.
Tive o prazer e a honra de conhecer
as plantas dos melhores fabricantes de pianos acústicos do mundo. Mas, o Brasil
é o que interessa, o nosso mercado é que está em jogo. Vamos ao resultado?
Segue a classificação, através de nota, em ordem Alfabética dos Fabricantes, da
qualidade dos principais Pianos Digitais do Mercado Brasileiro.
Levo em consideração o quesito
"sampleamento" do piano; ou seja, a qualidade do som do piano como
ele realmente se apresenta. As notas variam de 1 a 10, onde 1 é o "sampleamento"
do piano no formato universal, MIDI, e 10 o "sampleamento" mais
próximo ao som "verdadeiro" do piano:
Casio
- 4
Fenix
- 1
Kawai
- 5
Korg
- 5
Kurzweil - 6
Michael - 1
Nord - 7
Roland - 4
Tokai - 3
Waldman - 1
Yamaha - 10
O que noto é uma diferença "astronômica" entre o som do Piano Digital Yamaha para os demais Pianos Digitais do Mercado. E isto é uma constante desde os modelos mais simples até os mais sofisticados. Agora, você pode me dizer: - Não concordo, Uhlik! O meu Piano Digital tem um som incrível!
A minha resposta para você é muito simples: você se identificou com o som do instrumento, assim como você jamais vai esquecer o seu primeiro beijo. Não tem como argumentar sobre o que você gosta ou não. O que descrevi é o resultado eminentemente técnico do sampleamento do som do Piano Acústico, exatamente como o Piano Acústico é.
E, olha, que mesmo os bons Pianos Acústicos de Concerto tem uma série de ruídos, diferenças de timbre nas notas de passagem, sonoridade diferente com o pedal, sem o pedal... Portanto, me atenho a fatos; contra fatos, não há argumentos.
Agora, vou fazer uma pequena menção com relação aos Pianos Digitais Yamaha e porque eles são melhores. Você sabia que a Yamaha produz TODAS as peças dos seus Instrumentos Musicais? Todos os demais fabricantes do mundo adquirem peças de fabricantes famosos, como por exemplo, a Renner, que é uma referência na fabricação do mecanismo de acionamento das teclas dos mais famosos Pianos Acústicos do Mundo.
Mas, na Yamaha, não tem moleza. Desde a cola, o parafuso, o enlace, o feltro, o 'aramezinho', a solda, o martelo, a Tábua Harmônica, o Frame, tudo é produzido pela própria Yamaha.
Portanto, não seria diferente com relação à produção e sampleamento dos Pianos Acústicos para os Pianos Digitais. Confiança tem nome. E não é Friboi! É Yamaha! Avante!
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*Amante da música desde o dia da sua concepção, no ano de 1961, Luiz Carlos Rigo Uhlik é especialista de produtos e Consultor em Trade marketing da Yamaha do Brasil., além de colunista nas Revistas Keyboard Brasil e Música & Mercado ( http://musicaemercado.org/ ).